News from a terrible year
Faz muito tempo que não escrevo aqui mas sinto que não consigo mais falar com ninguém na vida real e aqui seria o único lugar pra desabafar sobre esse ano que nem chegou em outubro e já me destruiu por completo.
Dois mil e dezesseis. Um ano em que ainda continuo num emprego medíocre, no qual passo 8 horas do dia sentada jogando candy crush ao invés de tentar produzir algo (menos por preguiça e mais por apatia e comodidade. Não tenho mais nada a oferecer aquele lugar e vice versa mas como um casal que está junto há quatro anos e já se acostumou um com outro, estamos numa fatiga eterna de terminar e seguir em frente sozinhos). Odeio TUDO e TODOS ali. Mas como me escravizei pelo capitalismo (que paga o aluguel da minha kitchnete e a ração da minha gata) tenho um medo ferrenho de pedir demissão e voltar a dar aula, ser horista, ter menos dinheiro do que já tenho.
Dois mil e dezesseis. O ano em que a minha mãe surtou. A ansiedade, depressão, velhice, tudo veio à tona. Ela me enlouqueceu no primeiro semestre se comportando como uma velha caquética (papel que decidiu assumir pra chamar minha atenção) e criança birrenta. Sua falta de estabilidade física me abalou mas tive que tentar manter o equilíbrio (logo eu, que vivo numa corda bamba e fina emocionalmente). Foram dias de nervoso, ansiedade, preocupação e choro escondido pela única pessoa que importa na minha vida e o medo de perdê-la.
Dois mil e dezesseis. O ano que me envolvi com uma mulher. Mulher essa que só provou que seres humanos são todos iguais (tendo ou não um pênis). Depositei expectativas demais em uma pessoa que me usou, brincou com meus sentimentos e empurrou ainda mais minha carência emocional pro abismo. Achei que poderia ser diferente mas me dei para um lixo de pessoa como quase todos os outros com quem me envolvi. E pra piorar a pessoa também faz parte da minha equipe de trabalho e sou obrigada a conviver com o ser todos os dias da minha vida, piorando ainda mais todo o erro do qual me arrependo imensamente. Continuar sozinha, aos 34 anos, com aquele certeza triste de que nunca serei amada foi mais um tapa na cara, no ego e no coração.
Dois mil e dezesseis. O ano em que gastei MAIS DE TRÊS MIL REAIS pra NÃO IR PRO EGITO.
Pois é. Escrevo isso do meu segundo dia de férias e estou desde domingo sem tomar banho, de pijama, deitada na cama e tentando entender o tilt que meu cérebro deu no sábado à noite, de malas e TUDO pronto e que me impediu de entrar no avião. Ontem era pra ter conhecido as pirâmides mas só conheci o fracasso mental de alguém que está à beira de um ataque de pânico, nervos e depressão.
Planejar uma viagem incrível, estar pronta e seu cérebro colocar na cabeça que seu avião vai cair e você NÃO PODE entrar nele pois vai morrer é um caso severo de loucura. Sei disso e vi nos olhos das pessoas aquele olhar de "meu deus, ela enlouqueceu...".
Eu sou a louca que literalmente rasgou muito dinheiro. Eu sou a pessoa que manteve o sorriso e a fachada de que every fucking thing is okay enquanto segurava na mão dos outros que sugaram minha energia e vida e agora me abandonaram.
Nunca me senti tão perdida, encurralada, frustrada e sozinha na minha vida. Minha mãe grita "O QUE VOCÊ QUER QUE EU FAÇA?" no telefone, num despreparo típico da mulher que teve um filho quebrado e não sabe lidar com ele. Meus dois únicos amigos mandam mensagens leves pois eles sabem que estou pra quebrar e querem ter a certeza nas minhas respostas online de que ao menos hoje eu ainda estou aqui. E aquelas pessoas que me cercam, que me 'apoiaram' muito na hora de ir viajar mas ficaram cheias de dedos quando surtei e decidi não ir, elas que são ótimas em chamar pra sair, comer e beber mas que só me usam de ouvidos e psicóloga grátis e AMAM a Karina em denial, com sorriso falso no rosto e fingindo confiança mas que como todos os outros no mundo não querem lidar with my shit, only theirs, elas sumiram. Talvez elas que tenham ido pro Egito, ou Iraque ou Marte.
Dois mil e dezesseis foi o ano em que dei demais. Doei mais tempo e energia do que podia. E agora só sobrou a carcaça oca de um ser humano quebrado emocionalmente.
Eu me tornei a frase da música que mais amo: I am finally the mess nobody wants to clean up.

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