Friday, May 13, 2016


Time to change

O lugar onde trabalho tem 3 donos. O senhor falastrão, meio preconceituoso, meio cabeça fechada, ainda assim, um dos melhores patrões que tive na vida. Peca por falar demais mas é sincero e o tipo de pessoa com bom coração. A esposa dele, cínica, falsa, é evangélica mas sei que o único deus dela é o dinheiro. Nos últimos 3 anos e meio convivo com ele e claramente aturo ela. E tem o irmão dela. Sócio silencioso. Deu 1/3 do dinheiro pra comprar o lugar mas deixou na mão dos dois a administração. Pouco o via mas muito ouvia falar. Quanto mais escutava sobre ele, mais me lembrava o jeito do homem que mais odiei na vida e que tirei dela há dez anos: Meu pai. 

Desde o fim do ano passado ele decidiu ser presente. Assumiu a parte financeira e já chegou colocando mil regras como alguém que sabe muito mandar mas não chefiar. Um babaca. Um grosso. Pode manjar de números mas pouco sabe lidar com seres humanos. Pra se ter uma ideia: Foi corneado pela ex-esposa e muitos ficaram do lado dela (por que como ficar com alguém como ele sem cair na tentação?). Foi morar com uma irmã e tanto infernizou a vida desta que ela mudou a fechadura da porta e deixou ele pra fora. Foi viver com outra sobrinha e ela pediu pra ele ir embora em menos de seis meses. O filho preferiu ir estudar no interior a morar com ele. E agora ele mora na casa dos meus patrões (e não fala mais com a sobrinha e tem muitos atritos com meus chefes). E eu sei que desde sempre ele não gosta de mim.  

Corta pra mim: Assumi minha posição no meio de 2013 e coloquei toda a parte pedagógica do lugar nos eixos. Não sou Miss perfection mas se não fosse por mim, com a crise na virada do ano, teríamos perdido muito mais alunos. Tento fazer minha parte. Não tenho o pensamento de "Danem-se eles, não sou sócia, só garanto o meu" e venho trabalhado duro pra não perdermos mais alunos, decidi tomar uma atitude drástica demitindo uma pessoa querida do meu círculo de amizade que infelizmente está deixando a desejar e protejo como posso o lugar. Ou melhor, protegia. 

Ontem foi um dia CRUEL pra mim. Foi marcada uma reunião liderada por ele e eu, burra, ingênua, idiota, achei que falaríamos sobre a avaliação dos consultores da matriz sobre a saúde da escola num geral (mas principalmente do comercial, que teve uma rotatividade ridícula de 3 pessoas em menos de 6 meses e pouco fez pra matricular alunos no começo do semestre), ou da secretaria, caótica, também num entra e sai de pessoal e que ficou por quase um ano com uma das pessoas mais incompetentes que já vi na vida e também de melhorias na área liderada por mim mas o que aconteceu foi um famoso Joga pedra na Geni passivo-agressivo onde até a moça da limpeza veio perguntar do porque de estar lá já que foram duas horas só falando que o grande problema da empresa estar como está é o pedagógico. Olha, doeu. Só não dá pra falar que foi a maior humilhação que sofri porque esse posto ainda fica com Stanislas, meu host francês, mas sabe, já deu.

Trabalhar pra alguém tão odioso, que quis me rebaixar à toa (ou melhor, com alguma razão, como pontuou meu psicólogo, pois ninguém promove uma reunião pra humilhar alguém sem que esse alguém te incomode MUITO) e que desmereceu até algo que ainda tenho muito orgulho (Cinco alunos de sete que com pouquíssimo tempo passaram na nossa primeira turma de alunos prestando Cambridge) dizendo que 70% de aprovação foi um resultado horroroso foi o que bastava pra lembrar que 5 anos já se passaram desde a França, que há mais de 3 eu fico ali, realmente desmotivada, insatisfeita e sem perspectiva de crescimento. Que eu sou melhor que tudo isso. E que, principalmente, ele mexe comigo lá no ego. Por lembrar meu pai, e por ter me rebaixado como tantas vezes meu pai me rebaixou, meu id não consegue controlar minha razão e eu só penso que num próximo confronto eu voaria como uma besta pra cima nele. Tenho medo de partir pra agressão física, mesmo. Tenho medo de mim mesma nisso tudo. Mal consigo imaginar como será passar o dia todo de amanhã sem que comece a tremer. 

Enough is enough. No mundo de comodidade que me cerquei, relaxei. Esqueci meu foco, minhas metas. Amanhã eu peço demissão e retorno ao rumo da vida que tinha antes. Amo dar aulas. Amo ser independente. E odeio as 8 horas diárias que vendo a troco de banana sentada num cubículo, enquanto deixo minha vida passar em branco. 

Obrigada M. F. Olhar sua vida medíocre, o seu nunca sorrir, o seu fel, a sua tristeza e o seu ódio por mim e pela vida, me ajudou a perceber que gente como você merece meu desprezo, meu nojo e acima de tudo, MINHA DISTÂNCIA.