Amor nos tempos de tinder
E ai que eu entrei no aplicativo em questão pra tentar esquecer antigos erros que nunca deveriam ter voltado a ficar atuais e pra fazer companhia pra menina do meu serviço que terminou um namoro longo e como já dizia o poeta, queria dar muito por aí.
Quem me conhece já sabe que eu sou desajustada nas artes do amor tête-a-tête e nunca fui muito de flertar na internet por ser desconfiada e achar que tão tudo mentindo e zoando e querendo me matar no fim. Prazer, sou paranóica também. Também fui com parcimônia brincar de tindar porque muito escutei sobre ser um troço pra quem quer só transar e ponto final. E como sou dessas que prefere sexo com afeto e tal, entrei mas com cuidado.
Bom, a primeira lição é que você aprende a expandir o que chama de gosto. Todo mundo tem um tipo mas depois de muito ficar só nas negativas, começa a prestar mais atenção além do físico e a privilegiar um cara que conhece alguém super legal em comum ou que cita Chuck Palahniuk na descrição ou curte todos os filmes do Wes Anderson no facebook. True story.
E criar steps básicos conforme o mocinho vai passando nas etapas do creeptrômetro (aka, ele não vai se mostrando um estranho que te dá medo conforme conversam) passando da conversa no tinder (sem dickslap*, por favor) ao whatsapp (sem bom dia, boa tarde e boa noite, eu suplico) até adicionar no facebook pra ter certeza de que a pessoa não é daquelas que publica textão, curte Danilo Gentilli e overshare como se não houvesse amanhã.
Ok. Agora os relatos empíricos. Seria muito mais divertido contar as histórias da mina da firma (essa sim de ter os dez dedos da mão podres pra escolher boy no tinder mas acho errado divulgar coisa alheia) mas eu tive quatro experiências, algumas lições e a certeza que esse troço não é pra mim.
1. Cara que parecia legal mas foi de foto fofa com cachorro no tinder pra foto nada fofa com cobra (o animal, no caso) e aqueles répteis gigantes e queria foto de tudo minha, das minhas tatuagens, do meu rosto, do meu resto também e ficou putinho porque eu não fico por ai partilhando imagem do meu corpo com gente que mal conheço;
2. Cara gente boa que morou na França na infância e só conversamos na língua em questão e que apesar de estar morando no Rio ficou todo animado em me conhecer em Janeiro quando viria pra São Paulo e nosso papo rendeu horrores até nos adicionarmos no Face e ele sumir. Não gostou do que viu, aparentemente - ou é cego por não ter percebido minhas banhas já no tinder e precisa de oftalmo urgente ¯\_(ツ)_/¯;
3. Cara que parecia fofo que até relevei os bom dias sucessivos e chegou na fase final sendo adicionado no Face mas que se mostrou um grude de dar medo já que nem chegamos a nos encontrar mas veio com uns papos de: "Pensei em te deletar porque você não conversava direito comigo nem me dava bom dia..." (amigo, era Natal, e depois viajei pra fora, e, oi, eu trabalho, tenho casa pra limpar, livros pra ler, vida pra viver), "...Mas ai fiquei vendo suas fotos no face e pensando como ainda queria te conhecer" (o que me fez trancar toooooodas as fotos lá pra todo o sempre, amém) e finalmente contar que teve um relacionamento de 3 meses via tinder até descobrir que a mina só tava usando ele pra sexo enquanto ele chegou até a apresentá-la pros pais dele e ficou tão arrasado que pensou em... drum roll... se matar por causa dela e concluiu a conversa me chamando pra conhecer a filha dele como primeiro encontro (e meu deus, quem são essas pessoas?) me fazendo correr pra montanhas;
4. O mais decepcionante. Dei chance pro rapaz apesar de não ter tido atração física pela simples questão do cara gostar muitíssimo dos troços estranhos que gosto e ter um gosto musical maravilhoso e o papo rendeu. Muito. Um mês, no caso. E como ele não era grudento nem ficava forçando pra nos conhecermos (rolava convidar pra sair mas a gente nunca casava horário) e parecia genuinamente interessado por mim e pela minha vida, gamei. E quando finalmente saímos, ficamos. E, da segunda vez, transamos. E como a vida é assim essa bosta toda, todo o interesse (que hoje eu sei ter sido falso) evaporou e ele saiu à francesa e deve estar agora fingindo interesse por outra trouxa no tinder e perguntando se ela gosta de Star Wars numa sexta à noite e gastando um mês da vida da fulana pra trepar e sumir.
Ou seja, Tinder é pros fortes. E eu, fraca e facilmente machucada que sou, desinstalei essa joça do celular e sigo em frente, com zero expectativas no amor, relacionamentos e afins. Cibernético ou real.
*Dickslap é levar uma voadora de pau/pica/neca/pênis via foto sem estar esperando. Não recomendo. Ou sim, sei lá.

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