Sunday, December 14, 2014


What went wrong

O que deu errado. Ponto de interrogação. É o que eu estou tentando entender na última meia hora desde que protagonizei um surto na frente da minha mãe e mostrei pros vizinhos do meu prédio o que os vizinhos da minha mãe provavelmente já sabem. Que temos muitos problemas. A maioria, mentais e psicológicos. 

Passamos o dia juntas. Comemos. Fizemos compras. Voltamos pra cá pra que eu pegasse umas roupas e fosse dormir com ela lá. E do nada, tudo desabou. Adoraria poder dizer que o que aconteceu é uma exceção. Ou uma primeira vez. Mas é tão rápido e tão fácil de acontecer o que aconteceu. De uma das duas descompensarem DO NADA e o ótimo dia virar um amontoado de ações Almodovarianas desencadeadas por sentimentos passivo-agressivos tão Bermanianos.

Por razões sempre tão estúpidas e pequenas nos desentendemos mas por camadas e mais camadas de motivos sérios e gigantescos nunca ditos, os atos viram brigas homéricas e absurdas como eu esmurrando minha televisão e trancando ela pra fora do meu apartamento enquanto dizia verdades.

O que deu errado, é que eu sou uma pessoa extremamente quebrada trazida ao mundo por uma pessoa tão quebrada quanto. 

De tudo que falo sobre meu pai, pouco digo sobre minha mãe, que de boas intenções não encheu o inferno mas decidiu criar um ser vivo sendo que ela mesma deveria ter percebido que nunca seria apta a tal feito.

Minha nobre decisão de jamais casar e estragar qualquer homem que seja sendo essa mulher clone de minha mãe que me tornei, bem como não parir um(a) mini-eu com quem repetiria o ciclo tão falho e doente que temos uma com a outra é o presente que dou ao mundo. 

Eu vociferar na cara dela que sou um lixo, que ela me deixa louca, que não aguento sua presença e que um dia me matarei pra acabar com essa dor que é viver no meu corpo e com essa mentalidade que ela semeou em mim é a minha maneira dela mesma entender que ela também se vê um lixo, que eu também a enlouqueço e que quando vivíamos juntas ela também mal aguentava me ter por perto porque somos nós duas pessoas tóxicas. Por isso ela se isola. Por isso me isolo. 

Nós já sabemos que ninguém em sã consciência merece a nossa companhia e por isso nos aliamos na nossa dor solitária. Ela é a única pessoa que amo incondicionalmente e por isso a machuco tanto. Porque foi assim que ela sempre demonstrou amor por mim. Não me amando mas me machucando, me ignorando, sendo dura, orgulhosa e fria.

Eu queria tanto ter ido com ela pra casa. Visto meus gatos. Assistido aos filmes que compramos juntas. E no entanto estou aqui, com uma dor absurda na mão dos murros deferidos na tv. E o choro que não para. Porque duas pessoas quebradas tentando se quebrar ainda mais um dia descobrem que não sobra mais nada pra ser destruído. E é isso que deu errado. Ponto.