Friday, December 19, 2014

2015 = the end is near

Uma coisa já vem me tirando o sono há meses que é o fato de que ano que vem vence meu contrato de aluguel. Digo isso porque apesar de morar num ovo de codorna lado a lado com crackeiros nesse nada belo centro velho, pago pouco por esse 'privilégio'. Só que com essa onda de gourmetizar qualquer coisa em SP, sinto um cheiro de Williansbourg no ar querendo dobrar o valor do meu ovo de codorna.

Adicione ao fato a notícia que acabei de ganhar (via indireta pela tal da fofoca oficial™) que a escola que coordeno foi vendida. Meus chefes jogaram a toalha e vai vir franqueado novo e com isso, as incertezas: Vão me querer de coordenadora? Os meus antigos bosses vão bancar os falsos - como já vi fazerem- e me queimar? Os novos patrões vão fazer da minha vida um inferno? Não faz nem uma hora que fiquei sabendo da notícia e minha úlcera já urra.

E fica a moral da história de que ser gente grande é muito complicado e eu admiro MUITO quem casa, tem filhos, compra carro e casa e tem que lidar com essas pressões all the fucking time. Na minha já cagada educação, também esqueceram de me ensinar a lidar com esses troços e eu já chorei duas vezes sentada na privada só pensando que meu 2015 vai ser mais instável que esse lixo de ano que teima em não terminar e o quão não preparada eu estarei pra ele. 

Já aprendi que o melhor remédio pro bipolar é a estabilidade. É saber que ao menos amanhã tudo pode ser igual (o que é uma mentira medonha porque, né? Hello, viver é essa gangorra torta) e é nessa doce ilusão que tento viver sem cair. Só que ao pensar que nada será estável logo logo, já me bate um desespero tremendo.

Não quero fazer draminha de depressiva que quer se matar com dorflex mas nos últimos meses eu vivo num torpor de acordar de madrugada pensando no que eu ainda estou fazendo aqui. E de todo santo dia e noite ao levantar e me deitar, ter que cogitar se ainda vale a pena. Isso ainda tendo um salário. Ainda conseguindo pagar as contas.

Sempre penso na minha meta maior (voltar pra lá, sabem, aquele lugar que nem me atrevo a dizer pra não jogar mais sal na ferida) mas também o que NÃO quero NUNCA MAIS pra mim (voltar a morar com a minha mãe que me enlouquece naquela casa lixo, naquele bairro asqueroso, aquela escrotidão toda) e toda vez que paro pra pensar nas minhas opções pra 2015, me vejo no buraco de novo, naquilo que não posso deixar acontecer novamente. 

Venho falando muito disso com meu psicólogo, ele está ciente. Não é drama, não é chantagem. É só a constatação de que eu tenho muitíssimo pouco pelo que viver e qualquer coisa é melhor do que voltar praquilo. Inclusive não viver mais.