Mirando no infinito e acertando o pé
Antes de mais nada, juro que não tenho absolutamente NADA contra Christopher Nolan (e amarei seu irmão roteirista Jonathan pra sempre por ter criado Person of Interest) e sinto que preciso dizer isso já que os "Nolanettes" são tão assustadores quanto membros de uma seita, mas ao mesmo tempo tento SEMPRE achar profundidade, grandiosidade e peso em seus filmes, sempre em vão.
Amnésia foi sim groundbreaking em roteiro/edição, Insônia é muito legal e redescobri O grande truque dia desses pra minha própria surpresa. Já os filmes do Batman (herói esse que acho chato pra caramba) me deixaram só na expectativa e ainda tento achar a tal mindblowing genialidade de Inception sem muito sucesso. (Vejam Exitsenz do Cronenberg pra entender que algo tão legal quanto foi feito muito antes...)
Por isso só meu deus Kubrick sabe como fui de coração aberto pra amar Interstellar. Mesmo com a minha fobia de imagens do universo numa enorme tela de IMAX, fui querendo muito ser levada por um filme que fosse filosófico, impactante e arrebatador. Mas não somente o fim é tão, mas tão decepcionante por si só como fez azedar todas as 2 horas que me levaram até ele.
Mesmo tendo altos e baixos do começo ao meio, Interstellar entrete e é inteligente, criticando nossa posição no planeta, (e como 6 bilhões de pessoas tentando viver o American way of life só pode resultar no nosso fim mesmo), inserindo conceitos de física (mesmo que de forma tatibitati) e proporcionando imagens belíssimas (assistiria de novo só pela imagem de Saturno, lindo e soberano no breu da tela do imax) mas que no fim, desmorona tão tragicamente quanto Prometheus.
Isso porque ele tenta balancear astronomia pura com o melodrama e Nolan não é um diretor que emociona (e não tem nada de errado com isso). É muito difícil casar a frieza e meticulosidade de um 2001 (filme esse favorito do Nolan) com a emoção (muitas vezes barata) de um Spielberg. Não se pode agradar tantos deuses assim.
E, se perdoei a super exposição verborrágica já conhecida (e criticada) de Nolan e o drama inserido a fórceps (e já coloco o speech de Annie Hathaway sobre o Amor no Hall of Shame de Nolan junto com a cena de Marion Cotillard morrendo em Batman), o fim, mesmo me mostrando lindamente em imagens o que sempre tentei conceber dentro da minha cabeça de nerd (como seria se nós humanos pudéssemos ver a quarta dimensão), vem a serviço de um desfecho tão deus ex machina que quase sai antes dos créditos por não acreditar que ele iria se render ao recurso barato de fazer ABSOLUTAMENTE TUDO SE ACERTAR. Acho que nem com o próprio Spielberg (que um dia fez seu protagonista abandonar mulher e filhos pra desvendar o Universo) veria tamanha tacanhice em um desfecho tão cafona e feliz. Interstellar has its cake and eats it too e é muito decepcionante que o filme se permita TER TUDO. A filha, a salvação da humanidade, a sobrevivência do pai e ainda ir buscar a garota nos confins do Universo.
Não foi dessa vez que mudei minha opinião sobre o "gênio" Christopher Nolan e, infelizmente, também não foi dessa vez que pude aumentar minha seleta lista de ficções científicas geniais.
Talvez esteja na hora de Nolan deixar de acreditar nas roupas invisíveis de Imperador que seu fandom costurou e não mirar tanto para as estrelas da próxima vez.
(Ah, hoje faz 80 anos que Carl Sagan nasceu. Assistiria Contato, um bom e despretensioso sci-fi baseado em sua obra e também com McConaughey que diverte muito mais...)

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