Life is what happens while we live
Têm filmes que você sabe que vai gostar antes mesmo de sentar na poltrona do cinema e esperar o escuro te pegar. Quando me emocionei somente vendo o trailer de Boyhood (culpe a TPM, culpe o signo de Câncer), e lendo tanto sobre ele, eu já sabia que todas as minhas muitas expectativas se superariam ao assisti-lo.
Este é um filme de tantos méritos, da ambição do diretor de querer (e conseguir) filmar o mesmo projeto por 12 anos, bem como achar um ator mirim que cresça (e floreça) e o comprometimento e desprendimento de dois atores já conhecidos que se permitiram envelhecer a olhos nus, tudo em mais de duas horas, mas principalmente o lindo trabalho de filmar o tempo em si.
Boyhood me tocou por tantas razões que acabei chorando por muitas vezes durante as horas em que o assisti.
Percebi o quanto tudo mudou TANTO em uma década e afetou nossas vidas e relações. Chorei pela nostalgia de tempos e fases que nunca mais voltam. Me emocionei com a mãe interpretada pela Patrícia Arquette (ma-ra-vi-lho-sa) que se pareceu tanto como a minha própria mãe tendo que lidar com um casamento fracassado e tantas frustrações que isso causam numa mulher nessa situação e comigo mesma em outras, sempre escolhendo os homens errados pra sua vida. Achei lindo que Mason, o menino que 'se perde' olhando pela janela quando criança se tornou o jovem adulto que questiona, reflete, filosofa e quer capturar a arte da vida em fotos. Com o pai de Ethan Hawke, que sempre tem seus melhores e mais humanos personagens em filmes do Linklater.
E chorei porque nessas poucas horas vi a vida de um ser humano passar pela minha frente como a vida passa. Todo o tempo. Enquanto a gente vive e aproveita os momentos. Ou, como bem diz a mocinha no fim, eles nos aproveitam.


<< Home