Marte, e eu de lugar nenhum
O grande problema da minha vida foi não ter tido as tais figuras masculinas por perto. Zero irmãos, tios ébrios, avôs mortos antes do meu nascimento e primos que né, prefeririam virar gays que tentar algo com a prima gorda/estranha (e eu também nem queria, que fique bem claro, ew). E claro, crème de la crème, o pai que, depois de muita terapia caríssima, enterrei mesmo vivo.
Não sei lidar com homens. Nunca sequer tive chance de aprender. Fato. E até hoje, quando finalmente tenho contato amoroso com um, me surpreendo. Como o primeiro contato que um ser humano teria com um alien caído na Terra. Porque meu espanto na interação com eles continua mesmo décadas depois daquele menino chamado João ter se declarado pra mim quando criança e eu ter dado um tapa nele como resposta.
Acho que no fundo tenho é um grande medo. Não o medo que mulheres têm de um homem atacá-las, violá-las, não esse, mas um medo de algo que não conheço e que nunca conhecerei de fato. Porque me é tão mais fácil lidar com mulheres. Não as quero, não as desejo, não tem jogo. É o que é. Converso com uma mulher e se ela é legal, ok, senão, tanto faz. Mesma coisa com moços gays. Não há nada ali além do que está sendo dito, exposto, sentido. Nobody wants to fuck anybody. And I feel fine.
Sei que estou escrevendo isso regada a vinho e frustração porque estou passando por uma merda de "relação" toda errada, do tipo que só minha melhor amiga sabe e que provavelmente me renderia tapas na cara metafóricos de mãe, terapeuta e afins. E óbvio que estou apaixonada (aka, estúpida, burra e sem saber como lidar com nada), culpada (porque, acreditem, não saio por aí destruindo relacionamentos willy-nilly) e perdida.
Teria sido tão mais fácil ele só continuar amigo, sem demonstrar afeto (sabiam que existe amizade entre homem e mulher quando uma das partes é uma mulher gorda?) e eu que me contentasse com farelos platônicos com os quais sempre alimento o coração. Mas não, sendo da raça extraterrestre com a qual mal sei falar a mesma língua, tivemos que fazer contato, e estragar tudo (pra mim, claro, pois duvido que ele está lá na casa dele queimando neurônios sobre todo esse caos nesse momento).
Odeio esse sentimento de saber que tudo dito, não dito, feito e não feito é um jogo, uma droga de xadrez, jogo que também odeio. I am not good at math. E me sinto perdendo. O tempo todo.
Odeio homens. Pena que também os adoro.

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