Sunday, March 30, 2014


Bigmouth strikes again

Se eu soubesse controlar minha boca, não seria gorda compulsiva e tal mas filtrar o que entra e, principalmente, O QUE SAI dela me colocou em mais um grande problema. 

Eu gosto muito de ser professora de Inglês e hoje não trocaria de área. Só que ser professora (de qualquer coisa nesse país) é ganhar pouco e por isso virei coordenadora. Não gosto de ser coordenadora porque mal uso a língua (e a vejo enferrujar by the minute), tenho que me ater a burocracias insuportáveis e bom, como o próprio nome diz, ao invés de me meter unica e exclusivamente com conteúdo e qualidade das minhas aulas, tenho que coordenar as dos outros.  Só aceitei porque ganho salário fixo e não seria capaz de me manter morando sozinha sendo horista. Vendida me define.

E poderia dizer que é mais fácil ganhar na loteria que arranjar professores comprometidos e aptos ao trabalho (já que na cabeça do povo: sei falar Inglês = sei dar aulas) mas na realidade sei que tá complicado em QUALQUER LUGAR. Tenho consciência que quem é competente se fode na mão de um mundo de encostados. 

Dito isso, vamos à minha grande boca. Contratei um professor aí. E primeiro que já paguei com a língua porque não segui meu santo sexto sentido. Ele gritava ''SOMETHING IS OFF'' em todas as entrevistas (tanto que pedi pra filha do dono formada em psicologia também entrevistá-lo) mas contrariei meus instintos que diziam pra dar um perdido na pessoa. 

E bom, bicho é bizarro. Quase 40 anos no lombo mas não tem maturidade. Além da mania de querer agradar, falar demais, forçar a barra na gentileza. E a hiperatividade? Como dizia minha santa vó, é uma pessoa que 'enche o ambiente', já chega agitado, excitado, falando, um inferno. Ah, também tem o inglês. Não era perfeito, só poderia das aulas de Básico e tal. Mas né, todo mundo falando que ele tinha potencial, que o importante era dar chance pra gente que quer melhorar e aprender.

Aulas começadas, insuportabilidade elevada à enésima potência. Pra que chegar na hora? Pra que preparar aula, arrumar material antes, se programar? Pra que ter foco? Pra que preencher documento de aula, assinar ponto? E PRA QUE FALAR EM INGLÊS DENTRO DA SALA DE AULA? Sério, parece que contratei o Google Translator, pessoa me traduz TUDO. E na rede em que trabalho, não falar inglês all the fucking time in class e traduzir é como entrar no clube da luta e falar sobre o clube da luta. Primeira porra da regra quebrada. Sem contar que nêgo chega ao cúmulo de atender o celular em sala e conversar sobre e entrega da marmita da janta. Em sala, com todos os alunos esperando pra continuar a aprender inglês! Ah, e o Inglês? chocoleite, suIt, bird, o pássaro e beard, os pelos na cara, pronunciados tudo igual. Trágico.

Tá, sou paga pra arrumar essas coisas, confere produção? Então bora ir conversar, dar toque, dar dica, ser chata pra caralho, mesmo. E adiantou? Claro que não. Sabe quando você fala com alguém e sente que a pessoa balança a cabeça concordando mas tá te ignorando? Então... Tanto que no começo do mês, depois da dica pra não atender o telefone em classe, ele 'matou a tia' e não foi trabalhar no sábado. (Aliás, tese para estudos, porque tudo de ruim acontece para professores de línguas em sábados ensolarados?)

Mas o troço ficou insustentável. De outros professores virem na minha sala porque escutaram aulas inteiras em português e erros crassos de inglês. De eu não ter mais cara porque afinal, enfiei o traste ali. De me dar vergonha.

E entra o dilema: Ganho pouco, trabalho muito e achar professor no meio do semestre é como achar amor de vida em balada, portanto o mais lógico seria ignorar o ser até junho (já que só deus e o povo que trabalha comigo são testemunhas que tentei, como tentei) e mandá-lo embora após a conclusão das aulas. 

Mas e a boca, essa maldita, conseguiu? Tive que falar dos problemas de novo na quinta-feira e arcar com a consequência de dar as aulas do ser no sábado já que o imbecil não deu as caras como também desligou o celular. E ainda tenho que materializar um profissional que tenha disponibilidade imediata pra amanhã já que no mínimo ele não volta mais- e se voltar será despedido. Em suma, me fodi em verde e amarelo porque preferi ser correta ao invés de dar de ombros e ficar quieta (bem como meus chefes- os donos- fizeram antes de irem embora ontem).

Quando a boca não fecha, o corpo padece.