Sunday, March 09, 2014


A arte de estar (e permanecer) offline

1. Estou pra escrever sobre Her desde que o vi (há mais de um mês) e falar sobre como o achei lindo, tocante e verossímil a um futuro não tão distante da nossa realidade. Sobre como a tecnologia proporciona todas essas facilidades antes nunca imaginadas e como ainda assim, continuamos cada dia mais solitários e utópicos em relação ao amor nos tornando nada além de infelizes e frustrados. E também pra recomendar que assistam a esse filme numa dobradinha com Lost in Translation e me respondam se não é uma linda resposta de dez anos de um diretor antes casado e divorciado do outro. 

2. Também estou numa batalha pessoal pra sair das redes sociais. Me saturei e preciso me focar nos estudos. E antes que pareça um drama usar a palavra batalha, gostaria que vocês tentassem só sair do Facebook pra me dar razão. É praticamente impossível, já que eu (que nem sou uma dessas loucas logadas 24/7) ainda que tendo desativado minha conta, me vejo mais dentro dela do que nunca. Isso porque não há site que não esteja vinculado com ele. Diariamente, acabo entrando em algum lugar (mesmo em sites de notícia) e ativo sem querer a bendita. E pior, meu skype, todo inofensivo e só usado pra falar com a minha mãe (e ver meus filhos felinos), migrou todos os meus contatos e me coloca online pra todas aquelas pessoas que mal fazem parte da minha vida mas insistem em me aborrecer com conversa mole e encheção de saco. E não, não consegui desabilitar um do outro até o momento, mesmo tendo googlado uma solução (o que mostra o quão por dentro desses assuntos estou).

1+2. E o que uma coisa tem a ver com a outra? É que ao mesmo tempo que meu lado cinéfila Pollyanna aceitou a ideia de um homem de carne e osso amar um ser etéreo como válida, meu lado realista não consegue mais ver algo positivo nessa fusão que se tornou as pessoas humanas e suas caras metades/smartphones. Como uma velha coroca que se recusa a abraçar o novo, eu quero ficar offline e viver a vida real. Não quero tinder pra arranjar alguém pra transar, não quero whatsapp pra saber como estão meus amigos, não quero facebook pra encontrar gente que deveria ficar perdida no meu passado e não quero o sentimento de estar sempre perdendo a última informação quente se não scroll down toda minha timeline do twitter...

3. Isso porque nunca me senti tão sozinha na porra da minha vida. Não tenho a mínima vontade de teclar com as pessoas que amo porque quero vê-las. Uma coisa não supre mais a outra. Todos esses aplicativos e aparatos que deveriam facilitar minha vida, me unir ao próximo, só repelem os outros de mim. Meus amigos poderiam muito bem estar morando em Marte já que nem sei mais deles. O último cara que amei me chifrou também por causa das facilidades que uma DM ou chat proporcionam no caso de querer ser infiel. Meu tempo escasso voa quando decido checar novidades por 15 minutos que muitas vezes viram a noite toda. E a vida passa e a gente só online achando que isso é que é viver. 


Quero menos amor Samantha e mais companhia de carne e osso