So uncool
Parece patético ficar triste com a morte de alguém que você não conhece mas considerando que o cinema é a família e os conhecidos que eu não tenho na vida ~real~, ainda estou passada com o fato do Philip Seymour Hoffman ter morrido domingo.
Já morreu muita gente que me deixou triste na área mas ou foi por velhice (e a gente meio que já se prepara pra isso) ou pelo talento e você fica chateada porque, poxa, tinha muito chão pela frente (tipo o Heath Ledger). Mas o Phil foi foda.
Primeiro porque nem em um milhão de anos esperaria pela notícia. Depois porque, porra, a forma que ele foi é cruel (e quem sou eu pra julgar quem fuma, cheira ou injeta) e porque além de deixar filhos, ele deixou o cinema mais vazio.
O cara enchia a tela de qualquer filme que aparecesse. Acho que a primeira vez que o vi na vida foi em Twister (que a gente ama em casa) e nego já roubava a cena de todo mundo. Ele era sempre o cara que eu queria ser amiga. SEMPRE.
Tentei assistir filmes dele no domingo mesmo e não consegui. Vai ser difícil porque não somente ele era o ator favorito do meu diretor do coração como ainda está em outros tantos filmes que eu amo de paixão.
E filmes que me deixavam feliz pacas. Minhas sextas musicais eram sempre assistir Quase Famosos e Rádio Pirata. Eram filmes que me tiravam da fossa PRINCIPALMENTE por causa ele. Ninguém nunca vai ser tão legal quanto o Lester Bangs que ele criou. E O Grande Lebowski? Como ficarei com a minha comédia favorita se nunca mais conseguirei gargalhar com a cena da piscina envolvendo ele, the Dude e uns dedos do pé da Bunny?
E bom, o filme da minha vida só vai ficar mais doído de se ver agora sabendo que Phil, o enfermeiro correto e meigo e único que conseguiria enxergar pragas bíblicas caso elas caíssem do céu, foi embora. Seu personagem sempre me foi o consolo de que no meio de tanta gente ferrada, é possível achar alguém com a vida direita. E essa deveria ser a cena do filme da minha vida em que alguém me diz que é só um hoax e que eu ainda vou ter muitos PTAnderson films com ele.
Mas não vou. E o cinema, esse lugar de gente linda e cuja arte nunca dura fica pior sem o gordinho perdedor que representava a gente, sempre em casa no sábado à noite, os uncools.

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