Reações Adversas
Quando estou assistindo algo com a minha mãe, ela tende a sempre criticar o personagem 'burro' que toda vez faz algo errado e que em seu lugar, faria tudo certo. Pura balela porque frouxa e desesperada como ela é, não sobreviveria a ladrões, assassinos e muito menos zumbis.
E quem não acha que se conhece bem e adora descrever como reagiria em qualquer situação, né mesmo? Que nunca daria escândalo por ciúmes (o/), nunca gritaria com alguém, jamais bateria ou mataria e JAMAIS REAGIRIA A UM ASSALTO.
Quem nunca assistiu ao noticiário e invariavelmente pensou: "Puxa, mas por que reagiu?"
Pois é graças a Alá, meu bom Alá, nunca fui roubada (só furtada quando descia do ônibus) mas uma vez, há uns dois anos atrás, passando na frente de um cemitério ermo perto da casa da minha mãe bem de manhãzinha num sábado, um pé de chinelo da vida veio pedindo o meu WALKMAN. Em 2011. E eu, pensando que um filho da puta que mal sabe o que é um iPod não pegaria o meu, atravessei voando pro outro lado da rua e sai correndo. E como a ocasião faz o ladrão, ele desistiu de me roubar.
Noutra vez, virando a esquina de casa, presenciei dois caras invadindo o sobrado da vizinha enquanto ela entrava de carro pela garagem automática. Com ela aos gritos, vi que o negócio estava fervendo e o que fiz? De novo? Corri. E eles, correndo, logo atrás de mim fugindo.
Desde então, tenho a certeza de que infelizmente eu sou daquelas que "reage". E tento não pensar mais pra não desenvolver uma síndrome do pânico e não sair mais de casa pra não ser morta.
Corta. Dia de hoje. Moro no centro velho. Por aqui também trabalho. E se ganhasse um centavo a cada vez que presencio povo fumando seu cachimbinho de crack enroladinho no já clássico cobertor de crakeiro, tava rica em 6 meses e já subia alugar apê em Higienópolis.
E hoje, voltando da janta, há três metros, no máximo, da porta do meu serviço, me vem um nóia, braços abertos, balbuciando algo e eu, pela terceira vez na vida, olho pros carros que ainda não estão tão perto e me jogo no meio da rua. Eis que no plot da vida, nóia louco e agressivo decide me acompanhar na travessia e ser persistente no 'corre'. Eu, no meio da rua, faço uma elipse (olha, matemática servindo pra algo) e re-atravesso já de cara na porta e acenando pro meu patrão abri-la. Isso com maluco ainda correndo atrás e eu gritando e xingando o condenado.
Susto passador e riso dado (porque afinal, se as câmeras da CET filmaram tudo, vão re-assistir comendo pipoca do pastelão), meu maior medo é: Eu reajo mal. Eu sou daquelas que um dia pode levar um tiro/facada/whatever no meio das costas por uma bolsa velha com uma carteira surrada contendo 5 reais e um celular de marca tosca dado de brinde pela operadora. E isso me preocupa MUITO morando nesse paraíso chamado São Paulo...

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