Amor nos tempos de Internet
Andei tendo uns problemas da vida moderna porque o boy ficava dando trela pra ex-peguete biscate que não larga o osso via redes sociais e provei do amargo fel que é a Internet estragar relacionamentos.
O resumo da ópera foi: Quatro D.R.s em menos de um mês, um término vindo de cada um dos lados, umas gritarias em horário nada nobre que fariam minha vizinha véinha prestar queixa no síndico, uma piranha bloqueada no Twitter e a aparente paz mundial com muito make-up sex.
A minha justificativa sempre será de que eles tinham um passado, achava extremamente inconveniente ler as interações frequentes e por mais que tenha sido chamada de imatura por várias pessoas (mas levanta a mão aê quem é resolvido que eu quero ver...) o que pegava era a cumplicidade.
Parto do princípio que pra trepar, precisa de muitíssimo pouco. O problema é o afeto. Me sentia ameaçada e não tenho o menor pudor em admitir que o medo vinha deles terem afinidade. De rolar inside joke, do negócio não ser mais embaixo na altura da genitália e sim lá em cima, na cabeça e no musculozinho bombeador de sangue, mesmo. Porque é aí que o bicho pega e você perde a briga.
Anyways. Ganhei a parada. Ele bloqueou a moça. A vida continua.
Corta pra hoje. São duas da matina e ainda estou de pé porque estava num papo interminável com um moço que vem cada dia mais se tornando amigão do peito por razões dessa tal de afinidade.
Mais de quatro horas de papo passaram voando e por mais que eu jure de pé junto que pra mim é só amizade, qual a diferença? Aliás, um dos papos de hoje foi esse mesmo: Como tá todo mundo transando mas andamos todos muito solitários porque falta conversar, compreender e se sentir compreendido e ser companhia pra alguém. E no meio de tudo isso, me senti desconfortável, como se estivesse, ta-dah, traindo o boy. Sendo super cúmplice com alguém que não o moço com quem deveria dividir intimidade. Me senti culpada. Como se tivesse sido pega no flagra, mas por mim mesma. E absurdamente hipócrita. Aquela que obriga o outro a fazer o que digo mas não o que faço.
De novo, podem ser dois pesos e duas medidas porque, de novo, eu sei que não há nada demais e nunca houve no passado. Mas no grande esquema das coisas, não foi tudo igual?
Será que minha avó se sentia assim quando conversava com o leiteiro?

<< Home