Flerte com dignidade: Não trabalhamos
Não sei flertar, nunca me ensinaram como ~seduzir~ e ser sexy é algo completamente desconhecido pra mim. Se fosse homem, tenho certeza de que competiria com o filme O virgem de 40 anos só que chegando aos 80. Como nasci fêmea, tive mais sorte de achar gente do sexo oposto que na força e coragem fez acontecer sem precisar disso daí de cima.
Em suma: Me apaixono (e desapaixono, vide ontem quando o ex-peguete tava lendo Zibia Gasparetto -the horror, oh the horror!- e cimentou qualquer apreço que ainda poderia ter pela criatura) conversando, conhecendo. No melhor estilo nerd, vendo que ele também gosta de X,Y ou Z e criando toda uma paixão platônica que (às vezes) vira real ou (na maioria dos casos) fica só no stalkeamento eterno.
Essa coisa de ficar de nhenhenhé em chat é o equivalente de sair pra balada e 'chegar chegando'. Se eu já era velha demais pra isso com 20, quem dirá agora. Já não gosto de teclar com ninguém porque acho que meu humor ao vivo não se traduz bem em palavras (hahaha, pelamordedeus, apagar isso) e depois dos 'ois' de praxe, nunca consigo engatar conversa (pra boi dormir) se não tiver realmente algo pra falar. E isso com meus amigos do peito. Imagina com conhecidos.
Digo isso porque acabei de passar por uma experiência constrangedora. Cara que estudou comigo à dois mil anos-luz me adicionou no FB e veio conversar. Assim, não lembro dele ser amigão (e minha memória é boa pra isso) mas continuei na educação. Logo já deu pra perceber que era o típico caso dele ter me notado mais do que eu a ele e nêgo jumped the gun como se não houvesse amanhã.
Sabe, calma, colega. Vamos conversar? Vamos ver se seu crush por mim há 15 anos atrás ainda condiz com a coisa? Por que não trocar info que vá além de 'qual teu estado civil' pra ver se dá caldo? E mesmo que não dê, amizade, baby. Não é disso daí que surgem os melhores namoros (pelo menos os meus...)?
Sei lá, fico desconfortável com essa dança toda. Um (eu) querendo conversar, conhecer, pra ver se a pessoa é compatível num GERAL e só então descobrir algo INTERESSANTE que possa despertar alguma coisa além e o outro (sempre eles) com tanta insinuação que me faz fugir pras montanhas.
Como explicar que primeiro eu tenho que descobrir se as músicas que escutamos combinam, se os filmes que você assiste são legais e se você lê coisa que preste. Ai a gente vê se eu te acho pegável fisicamente ou se qualquer parte do meu corpo te apetece. FICOU CLARO?

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