Sunday, April 21, 2013



Crises de meia idade

Aparentemente todos ao meu redor estão em crise. Uns silenciosamente e outros de forma mais histriônica. Cada um lidando com a chegada  ao topo e o saber que só resta descer. 

Graças a Alá, esse bom Alá, só tive epifanias mesmo. E cada vez que olho pra trás, só agradeço por saber mais. Por estar aqui e não lá... Sempre citei a  música que diz que 'I wish I knew what I know now when I was younger' mas hoje, francamente, acredito que não merecia saber o que sei hoje. Era uma tonta que tinha que apanhar da vida como apanhei. Bem feito.

E todo mundo ao meu redor surtando. Foi difícil escutar de alguém que amo que "É duro o dia que você percebe que não vai ser o que queria 'quando crescer'". Mas de consolo, estarei segurando na mão dele como ele segurou na minha quando a minha crise de meia idade aos 21 aconteceu. E contar que a montanha-russa só parece amedrontadora, mas nem é tão inclinada a descida. 

E o que mais tem no cardápio? É só o que  me pergunto. Olho pra outra pessoa que conheço, uma mulher literalmente à beira de um ataque de nervos, e penso que aquela também podia ser eu. Amarrada no passado que nem existe mais. Não consegue olhar pro lado, pras outras opções do menu. Tenho dó. 

Porque a depressão pós-França que não me matou, me fortaleceu. Eu sempre terei Paris, como disse o outro. E, surpreendida com as minhas próprias palavras ao dizer (e acreditar) que 'Ah, não acho que volte mais a Paris, mas tô feliz aqui...', hoje sei que só precisava fugir pra outro bairro. Afinal, Campos Elísios é a tradução literal pra Champs Elysées, não?

E qual é o especial do dia de hoje? Não, não vou ser o que queria quando crescer. Não, não vou morar no 5ème tão cedo. Não, não dá pra começar uma faculdade e carreira do nada com contas chegando. Não tem príncipe encantado e até os mais ou menos já estão amarrados. Mas o que mais posso pedir?

Posso começar a andar com gente uma década mais jovem e rir e me deparar com a condição de 'tia' de um grupo divertido de gente com bom gosto, humor e inteligência (já que isso não se mede em datas de nascimento) e continuar bebendo até a madrugada, escutando e vendo o que sempre escutei e vi. Posso abrir espaço pra gente uma década mais velha e me permitir perceber que 'tios' são mais interessantes que moleques (de 30). Sabem mais, ensinam mais.  É isso que está no meu cardápio. Não vou morrer de fome.

E também não dá pra repetir aquele velho cliché de que idade é só um número. Não é. Porque não seria capaz de ser e agir assim cinco ou dez anos atrás. É importante. Só queria achar um jeito de explicar aos em crise que não é pela razão que todos eles parecem se importar tanto. 


'I wish I knew what I know when I was stronger', mas peralá, nunca estivemos tão fortes...