O Capitalismo quer minha alma à força
Olha, uma coisa linda que herdei de meu pai (que o que tem de mau progenitor tem de absurdamente ótimo contador/economista) é juntar dinheiro. E com ele também aprendi que empréstimos, créditos e parcelamentos são o mais próximo do inferno que um ser humano pode chegar.
Ele sempre pregou comprar à vista e aproveitar os descontos. Evitar cartões de crédito. E que juros são o equivalente à pegar uma notinha da sua carteira, picar bem pequenininho e jogar no lixo.
Deixando meu psicólogo orgulhoso, digo em alto e bom som: Obrigada meu pai pela grande lição de vida porque graças à ela me virei nos EUA, viajei sozinha pras Europa e montei meu apartamento sem um débito.
Isso porque me recuso veemente à ter cartão de crédito. Mesmo me irritando quando tenho que comprar ingresso de show e filme e ter que depender dos outros porque ticketmaster, ticketforfun e ingresso.com são uns lazarentos que trabalham pro capeta. Mesmo quando me olham como seu eu fosse um ET verde e cabeçudo quando descobrem tal feito (beijo vendedora da Onofre da Paulista que deve estar em choque até hoje porque existe gente como eu...). Mesmo passando o nervoso que estou passando pra comprar o último móvel que preciso e não podendo porque oi, o capitalismo quer minha alma. De novo. But I say no, no, no.
Acho legal ter dinheiro em conta mas não poder compra on-line por razões de: "Não podemos explicar, senhoooura". Acho lindo ligar no banco e ao invés de resolverem meu problema pra que eu tenha um sofá na minha sala, todos os três atendentes com quem falei preferem ficar querendo me convencer à liberar o plástico do demônio ("Mas senhoooooura, se a senhooooura tiver um cartão de crédito conseguirá comprar seu item on-line e ainda parcelar...") e relembrando o quanto tenho disponível de empréstimo (na hora, agora, nesse segundo, é só dizer sim) só tendo que pagar o triplo de juros. Muito prestativos.
E tudo que eu queria era meu sofá vermelho pra ornar com a decô...

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