FILMES! FILMES! FILMES!
As vantagens de ser invisível: Preconceito é uma coisa tão feia, né? Eu simplesmente tinha desistido de assistir esse filme porque todas as minhas alunas adolescentes amaram tanto o livro e a adaptação que logo pensei que tava velha demais pra isso. Tive que ler e escutar mais sobre (e saber que se passa na minha época de aborrescente e que a trilha sonora era demais) pra tomar coragem e encará-lo num domingo depressivo e entediante. E como explicar pra uma geração o que significava fazer (ou ganhar) uma mix tape pra (de) alguém que se estava apaixonada? Escutar uma música no rádio e ficar meses (ou anos ou décadas) sem saber nome ou autor? E a mudança de vida que é achar pessoas que te entendam na escola e fazer dessa experiência algo menos torturante? Se essa geração Y tiver o mínimo de juízo, deveriam fazer desse filme adorável o que a minha fez com The Breakfast Club.
Frankenweenie: Que eu não gosto de Tim Burton (ou do que ele se tornou) todo mundo já sabe. Mas foi revigorante ver que já que é pra se copiar à esmo, que copie suas obras antigas quando ainda havia genialidade e coração nelas. Com a grande ressalva de que tooooodo mundo se mobiliza por um menino que perdeu seu fofo cachorrinho mas ignoram solenemente a garotinha estranha que não terá mais seu igualmente bizarro gatinho (Que foi? Me identifiquei...) é um lindo filme pra quem já amou um ser de quatro patas na vida.
Paris Manhattan: Um filme tão divertido, querido, tipicamente francês e que ainda por cima, bem de leve e bem lá no fundo, joga no ar o quanto nos deixamos influenciar por ídolos, principalmente os do cinema e peculiarmente aqueles que fazem os filmes. Não sou fã de Woody Allen mas se tem alguém que retratou bem meu espírito cinéfilo foi seu Rosa Púrpura do Cairo e agora, sendo o Deus Ex-Machina que move a protagonista (e dando seu ar da graça no final) ele dá de novo (e bem) a voz das neuroses mais humanas e universais. E bom, agora eu quero que Scorsese aprove meus namorados, também!
Lincoln: Sabe o seu tio fanfarrão que se vestia de Papai Noel e fazia as piadas mais bobas? Então, eu tive meu tio Steve cuja magia de Natal era pegar um e.t. cabeçudo e uma bicicleta e fazer tudo acontecer, contar histórias aterrorizantes de bichos aquáticos que podem me devorar e que qualquer um poderia e deveria ser arqueólogo se quisesse. E a grande questão é, a gente envelhece mas eles continuam os mesmos. O seu tio ainda repete as mesmas bobagens (mas agora pros mais novos) e ai jaz a graça da vida. Só que o meu tio perdeu a sua graça. Ele deu de querer contar História e me faz perceber com seus presidentes e cavalos e afins que é um chato de galocha. E é uma pena convidar a garota mais bela da cidade (ou o melhor ator com pulso no cinema), vesti-la com a melhor roupa que tem (ou deixar incorporar com perfeição um ilustre homem) e colocá-la sentada pra assistir TV -aberta, ew- no sábado à noite. Mas é bem isso que meu tio faz com o Daniel Day-Lewis.
Amor: Existem filmes grandiosos na sua execução como Les Mis ou Lincoln. Amor é um filme simples de tudo (principalmente se comparado à Fita Branca de Haneke) e escutei até chamarem de preguiçoso. Bobagem. Amor é um ensaio sobre o fim da vida e sua beleza (ou falta dela) se encontra exatamente no fato de ser uma câmera imparcial (ou parada) só captando o que é a rotina de duas pessoas já velhas quando uma adoece e perece. Não é exuberante pelo simples motivo de que não há nada que se contemplar numa situação dessas. O filme pede que nós olhemos, assistamos de camarote a vida como ela é -ou será pra todos um dia, por mais clichê que pareça, enquanto a senhora se debilita mais e mais, o senhor nada mais faz do que criar mecanismos de re-adaptação contínuos num ciclo eterno de: doença agindo e as pessoas ao redor reagindo até que a morte acabe com tudo (e quem já teve um idoso doente em casa sabe bem do que estou falando) e ao término, que tiremos a conclusão que quisermos. Pouco importa o julgamento dos de fora daquele apartamento.
A viagem: Quando soube que o filme era baseado num livro complicado de ler e que cada uma das seis histórias se desenvolve sendo 'lida' pela seguinte, fora o completo e total desprezo pela críticas que tinha lido, fui ver Cloud Atlas sem a menor das pretensões e me surpreendi no melhor dos sentidos. Não é confuso nem ambíguo, passa uma mensagem fofa (e que não me aborreceu tanto com em Life of Pi) e aí fica da crença de achar que todos ali são reencarnações ou é o amor que faz com que suas vidas sejam 'imortais' sendo recontadas e recontadas. E achei absurdamente divertido tentar achar os atores nas múltiplas atuações com a única ressalva à maquiagem que ia do muito bom ao ridiculamente ruim em segundos. Três horas bem gastas numa boneca russa cinematográfica.
This is 40: Todo filme (e série, ♥♥Freaks and Geeks♥♥ ) do Judd Apatow tem sempre um sério poblema: A esposa do Judd Apatow, Leslie Mann. Não me levem a mal, ela pode ser a melhor mãe e mulher do mundo e salvar filhotinhos indefesos na rua, mas, meu deus, é humanamente impossível assistir (e escutar a voz) essa moça. Ela não somente tem carisma zero como sempre só faz a nagging wife nos filmes do marido. Então se você assistiu Ligeiramente Grávidos e por alguma razão de insanidade gostou do casal composto por ela e Paul Rudd, esse filme é pra você: Um casal que só está casado por comodismo, com um homem imaturo e uma mulher que tem que fazer as vezes de mãe judia o tempo todo tendo crise de meia-idade e problemas financeiros além de uma adolescente e amigos clichês dando conselhos idem...
Django Livre: Tem gente que adora dizer que Tarantino copia filmes obscuros que nem a mãe dos diretores viu e se apodera de suas ideias mas eu acho que Quentin é um grande antropófago cinematográfico. Ele engole todas as referências que capta e regurgita algo só dele, filmes tipicamente "Tarantinescos". E que outro diretor hoje em dia consegue tamanha façanha de conseguir filas e furor no dia de estréia de seus filmes virando alguém maior que suas próprias estrelas? E Django é a perfeita mistura de violência e diversão, mostrando tanto sangue vermelho vivo e brilhante filmado em Scope mas sem perder a deixa de brincar com o grotesco e o engraçado (e como não remeter à Vincent explodindo uma cabeça dentro do carro por causa de um buraco na rua em Pulp Fiction com a cena em que Quentin em pessoa aparece em Django?). Sem contar que, apesar de branco, Quentin é um verdadeiro adorador dos negros (e moçoilas mais moreninhas ;-) ) e Django Freeman, o negro livre que acende a ponta de esperança e força em seus irmãos de cor escravos, é um grande herói e transforma esse filme num manifesto muito melhor sobre o Black Power que filmecos chatos e burocráticos de presidentes assinando alforrias (looking at you, Spielberg...)
A hora mais escura: Eu não gostei nem um pouco de Hurt Locker porque o tema era desinteressante, o personagem principal, nada carismático e os maneirismos da diretora, encheção de linguiça pra uma história nada inspirada. Mas se esse filme foi o 'treino' necessário pra Bigelow fazer Zero Dark Thirty, então, ótimo pra todos nós. Agora com um tema ótimo (afinal, quem não queria ver Bin Laden morto?), uma protagonista cativante, real e forte e menos frescuras na direção pra mais roteiro pseudo-documentarista, ZDT funcionou do começo ao fim pra mim. Colocando uma cara (e um coração) à história dos muitos que passaram anos numa busca que parecia não ter fim, esse pode não ser o melhor dos filmes indicados mas é um filme importante. E Jessica Chastain (por quem me apaixonei a ponto de ficar até o fim da sessão de A árvore da vida mesmo com imagens absurdamente assustadoras do cosmos) só se mostra uma das melhores atrizes à aparecer. Suas lágrimas no fim do filme são mais esclarecedoras que palavras sobre o que é um guerra e como não existe 'recompensa' nem 'orgulho' num trabalho em que TODOS tem as mãos sujas de sangue.
Les Misérables: Fatos: 1.Não curto musicais tristes com a mesma força que amo musicais alegres. 2.Detesto o engodo do Tom Hooper e até hoje me pergunto como esse senhor tem uma carreira. 3.Sou amiga da maior bee adoradora de coisas cantantes ever. E o que uma bicha amiga não me pede cantando que eu não faço chorando rindo? Logo, encarei e a sessão da meia noite em IMax (vamos colocar logo uma lei que obrigue TODAS as telas de se cinema à serem assim?). Pontos positivos: Hugh Jackman está fe-no-me-nal. Anne Hathaway consegue transformar dor e sofrimento em algo sublime e está divina do momento que entra ao momento em que sai da tela num crescendo de tristeza. O começo do filme te capta e amarra na cadeira lindamente. Em segundos fui de "tenho mesmo que ver esse filme?" pra "WOW, just WOW". Pontos neutros: Russel Crowe. Como canta mal, Jesus. Mas Javert é um personagem tão maravilhoso que nem dá pra sentir o problema. Todas as falas cantadas. Achei que ia me irritar mas você se acostuma rápido. Pontos negativos: As escolhas de câmera do diretor. Sou só eu, eu sei, mas me irrita acima do aceitável o que esse cara tenta fazer com a câmera. Borat + Mrs.Burton. A primeira sequência musical é boa mas os dois destoam como um sore thumb tentando serem engraçados num filme com tom e história muito mais sérios. Sem contar que eles sabem interpretar outros personagens que bafoon escroque (ele) e a exótica vilanesca (ela)? O casalzinho Marius + Collete Cosette Do mesmo jeito que pulava a parte deles quando li o livro, dormia gostosinho quando apareciam na tela. Desculpa mas dane-se o amor perto de coisas mais importantes como vingança, justiça, sofrimento e a minha França ser libertada da tirania...
Outros filmes em cartaz que já vi, revi, re-revi e amei nos itens 21 e 22 DAQUI e definitivamente AQUI.

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