À força
Minha amiga sempre repete, quase como um mantra, que NADA VEM FÁCIL pra gente (porque, afinal, é minha melhor amiga e gente cagada se junta com gente mais cagada).
Se qualquer pessoa no mundo decidisse ir morar sozinha, teria problemas como encanamento e móveis que não chegam mas óbvio que eu, apesar de poupança e muita vontade, tive que encontrar não pedras, mas a porra do Himalaia no meio do caminho além de problemas como encanamento e móveis que não chegam.
Primeiro foi descobrir via corretora da imobiliária que opa, não somente estaria ferrada se precisasse da minha mãe como fiadora como coisas beeeem piores relacionadas ao meu futuro e bens estavam erradas e precisam ser arrumadas pra ontem.
Aí toca ter que pagar seguro caríssimo e quem precisa de um pé de meia ganhando uma miséria num emprego instável e assumindo a grande responsabilidade de pagar contas daqui em diante, né mesmo?
E bom, depois de ficar de boa com a minha mãe, ela dando suporte, apoio, claro que hoje minha mudança final se deu à fórceps.
Qualquer ser normal com mãe idem mudaria, daria tchau, prometeria ir almoçar no domingo que vem e iria na santa paz.
Eu, que só queria dormir e descansar numa casa com sofá e cama (coisas que meu apto ainda não possui...) nesse feriado, após mais uma briga começada do nada (como sempre) me vi enfiando roupas, calcinhas, caixas e afins em sacos plásticos e pedindo ajuda dos amigos aos prantos e saindo de casa, a casa que morei a vida inteira, no meio de uma chuva absurda (que só começou a cair quando o carro chegou e terminou quando fui embora na cena mais cinematográfica -e pateticamente triste- da minha vida) e jogando chave no chão, gritando e chorando até doer os pulmões. Coisas de família italiana louca.
E assim me mudei definitivamente pro meu lugar que só tem caixas, móveis desmontados e um colchão de ar mas onde ao menos eu espero encontrar o sossego que eu não tinha mais desde que minha avó morreu. A ideia de lar que eu perdi faz tempo...

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