Suporte...
Quando meu pai ficou desempregado do nada (Plano Collor, aquele abraço...), tinha sete anos mas lembro como hoje ela falando claramente pra ele se virar que não tinha casado pra sustentar marido.
Quando tive uma crise de sinusite a ponto de deixar minha testa fofa de tanto pus interno e tive que ir sozinha de ônibus até o médico mesmo com 12 anos (a pobre irmã do colégio me esperou no ponto até chegar a condução) além da dor que senti, escutei dela que bem feito tomar tanta friagem.
Quando minha avó, já na casa dos oitenta, era carregada pro balão de oxigênio quando tinha acessos de falta de ar, teve que ouvir dela umas boas vezes que quem mandou fumar tanto .
Quando tiraram meu celular novo da bolsa, foi bem feito por eu ser desatenta. Quando eu tive que voltar da França porque me iludi com o Tuga, bem feito por confiar em homem. Quando troquei o emprego que gostava pelo que detesto, bem feito por escutar a menina que me indicou. Quando tenho crises de enxaqueca (herdadas por ela, por sinal) é muito bem feito por ser exagerada com comida.
Quando a tv mostra alguém morto durante a noite, mereceu já que ninguém mandou ficar por aí de madrugada. Eloá, a menina morta pelo namorado era uma piranhazinha que namorava muito jovem e também mereceu morrer. E por aí vai...
E de terça pra quarta, quando passei das 22h às 7h da manhã tentando evacuar (mil desculpas pelo TMI mas só quem sofre disso e sabe que nem activia ou lactopurga conseguem arrumar tudo na vida me entende...) e tive que ir ao médico fazer lavagem (de novo, eu sou paticamente a piada do pintinho sem cu que explodiu!) tive que escutar que bem feito porque, porque, porque... Quem mandou ser ressecada?
Eu adoraria estar mentindo ou exagerando mas é isso que o cosmos me deu de mãe. Uma pessoa que se passa por boazinha da porta pra fora mas é um dos seres mais egoístas e sem filtro na hora de apontar o dedo pro próximo- mesmo os que ela diz amar. Como já diria o meu pai, só ela caga flores.
Nem quero abraços (ela não abraça as pessoas, tá gente, nem nunca o fez com a própria filha) e palavras de solidariedade. Mas ao menos o silêncio, o só escutar o lamento e calar a porra da boca seria bom pra variar.
Depois me perguntam se não tenho dó de ir morar anos fora e deixá-la aqui. Minha resposta é sempre um sonoro
...NÃO!!!!

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