Porque ninguém se apaixona à primeira vista duas vezes
Quando ouvi falar em Wes Anderson, lá na faculdade de cinema, todo mundo que eu odiava amava então rolou uma vibe de "vou ver só pra poder odiar..." e olha, é díficil descrever como foi grande o meu amor por Rushmore.
Naquela época ele ainda segurava a onda no visual que fez dele O Wes Anderson e bom, pra mim, aquele filme é puro coração. Pra variar, aconteceu uma total identificação com meu namorado cinematográfico Max Fischer e como não se identificar com o loser que só quer ser aceito e abraça a soberba como arma de guerra? Eu com 12 anos que total inventava mentiras porque já sabia que só assim pra ser aceita mandou lembranças...
E aí veio Tenembaums e quando é que dad issues num filme não me fisga no primeiro minuto? Mas como já escrevi aqui, Wes, que poderia balancear estética e conteúdo meio que se perdeu no próprio estilo e honestamente, hoje em dia parece uma paródia de si mesmo.
A grande verdade é que não gostei de Life Aquatic, adorei Darjeeling, achei Mr. Fox sacal e apesar de sair flutuando de Moonrise Kingdom sábado passado, ainda acho que esse meu amor pelo Wes é pelo nosso "passado" mais do que pelo nosso "presente".
Ele, se não atingiu seu pico em Rushmore, o fez com Tenembaums e eu (bem como todo mundo, aparentemente) me prendi a esses dois filmes como bases de comparação. Em defesa dele, é díficil fazer sua "obra prima" no segundo filme (beijo, Quentin!) mas é muito cômodo se manter na sua zona de conforto, se repetindo e clamando ser um estilo.
Infelizmente acho que o que me leva a ver um filme do Wes hoje em dia é a memória de como seus filmes me tocaram e na esperança de que um dia, talvez, eu chore pela beleza que são aqueles segundos de interpretação numa mera reação facial de Bill Murray ao descobrir que Mr. Fischer é barbeiro e não neurocirurgião.
Talvez a própria história de Moonrise Kingdom seja a prova viva de que não existe amor ou paixão como aquela que sentimos ainda jovens e que infelizmente quase nunca se repete quando ficamos velhos. Porque eu gostei muito sim deste último mas, francamente, não consigo mais me apaixonar por um filme de Wes Anderson como da primeira vez...
Ao menos, tem dancinha de undies ao som de música francesa...


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