Eu sempre lembro de Lost quando Ana Lúcia - um dos personagens mais odiados da TV ever- explica como as pessoas simplesmente não gostam dela. Como ela já tentou mudar a situação mas que nunca adiantou. Onde ela chega é uma constante: Não é o que os anglo-saxões sabiamente definem como likeable.
E é bem assim mesmo. Toda vez que eu reclamo aqui (ou no Twitter ou sozinha numa sala do serviço) como "os outros" não foram com a minha cara e me excluem, está embutida a frustração de se fazer ser gostada. E essa habilidade não me foi concedida.
Parece tão fácil em teoria. Sorrir mais. Conversar mais. Escutar. Ligar. Se importar. Manter contato. Abrir a porra do coração. Mas na prática é como querer emagrecer. Todo dia eu acordo disposta à não comer muito. E toda noite eu vou dormir com a culpa dos relapsos. É a mesma coisa com ser likeable. Todo dia eu decido tentar mudar. E todo dia eu me frustro com a decepção de não conseguir mudar.
Eu sei que é patético mas quando comparo minha vida cibernética com a dos outros, fico deprimida. De saber que me acham chata, insuportável, deprê e nêgo cair fora à rodo. Meu FB e twitter são provas vivas de que sou a Ana Lucia da vida real. Me sinto invisível, ou melhor, ignorada, a pessoa que caiu na rua de cara no chão, não consegue levantar e todos decidem pular por cima dela e continuar andando...
Pra piorar já fizeram pesquisas provando que quanto mais velho se fica, menos amigos se faz (isso pro povo com níveis normais de sociabilidade). Ou seja, já não bastasse saber que vou morrer sozinha no sentido romântico do termo, cada vez fica mais claro que nem amigo eu consigo segurar.
O jeito vai ser ensinar os gatos a ligar pro SAMU quando der meu AVC fatal.

<< Home