Um pedaço de papel
E lá fui eu hoje em mais uma situação humilhante de ter que falar com todas as letras pra um superior que n-ã-o-t-e-n-h-o-s-u-p-e-r-i-o-r-c-o-m-p-l-e-t-o e, né?
Não vou entrar na discussão pessoal de não ter um porque já gastei dinheiro de terapia o suficiente pra isso.
A minha maior raiva é que hoje, mais do que nunca, esse MERO pedaço de papel acaba sendo mais um status quo pra ganhar um zero a mais no salário do que desempenhar seu verdadeiro valor. Meu pai dizia que faculdade não é um lugar pra todos and may god bless his selfish heart porque me choco com umas pessoas que encontro no caminho e COMO elas têm diploma, pós e afins.
Uma pessoa inteligentíssima que conheço não o é porque está tirando sua segunda graduação uspiana e sim porque ela tem um ótimo cérebro e faz muito bom uso dele.
Em contrapartida, a grande maioria das pessoas que infelizmente chegaram em seu limite intelectual (e não há nada de errado nisso, já que concordo com Huxley e não podemos ser todos Alphas e Betas) estão entrando em faculdades idem e estão aí, arrotando caviar mas mal sabendo o bê-a-ba.
E além do meu maior medo de que essas pessoas são as que construirão os prédios tortos prestes a desabar e injetarão doses erradas e fatais em doentes, é extremamente irritante saber que é preferível ter uma educação sofrível, cultura e conhecimento lastimáveis mas um pedaço de papel custeado à base de aulas cabuladas em bar e teses rasas do que realmente saber algo de fato.

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