Por um mundo mais silencioso
Um personagem de um filme que tanto amo disse uma vez: "Constantly talking isn't necessarily communicating". Um outro, de um livro que mal acabei de ler e já entrou pra minha lista de favoritos deseja: "He told me once he wishes everyone could talk in silence." Eu, que sempre quis que a vida fosse um musical, ando achando mais viável ser um filme mudo.
Talvez por vir de família italiana e falar mais do que a boca quando estimulada (e considerar esse um dos meus maiores defeitos), estou sempre projetando esse problema no outro e é alarmante como se faz tanto ruído e não se diz nada.
E agora, acordada no meio da madrugada porque dois vizinhos decidiram competir entre si qual dá a festa mais barulhenta e entre "nossa, nossa, assim você me mata", "quero tchums e tchas" e parabéns onde a palavra hora se transforma em palavrão, adoraria estar no vácuo pra não ter que escutar um piu sequer.
O mesmo ocorre todo santo dia quando sento no meu coletivo e TENTO ler. Mas, se concentrar, ô tarefa complicada usando transporte público e morando na periferia. Não acho que todo mundo tem que ficar em silêncio mortal mas num mundo em que todos tentam abafar o barulho alheio com mais barulho, como ficamos?
Já presenciei situações patéticas de acabar sabendo como filhos foram concebidos, pais têm câncer e fulanas e sicranas são vagabas invejosas porque não se sabe mais como falar (num celular ou com a pessoa ao lado). E não bastassem as gadgets e sistemas de som de carro, até com fones algumas pessoas conseguem aborrecer o próximo.
E tem toda a questão de SE SABER ficar em silêncio. Ter uma relação de intimidade com ele (ao invés de temê-lo e achá-lo desconfortável como a maioria acha). Gosto de 'assistir' as pessoas e, sinceramente, pra algumas, parece que o silêncio causa dor física. Coisa de louco.
Sei que sou cri-cri (e isso só vai piorar com o tempo) mas não dá. Barulho é mais uma razão pra ficar (ainda) mais longe da humanidade.

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