Wednesday, April 04, 2012



You can't always get what you want (EVER)

Eu hesitei muito em escrever sobre isso porque afinal, ser adulta é arcar com as decisões (principalmente erradas) da vida mas como sou tão madura quanto uma manga verde no pé, eis meu lamento...

Troquei de emprego em Janeiro. Isso porque:
1. Não aguentava mais os mesmos problemas de sempre (aluno fraco, aluno burro, aluno com defasagem) enquanto se fazia vista grossa pra segurar cliente na escola;
2. Toneladas de serviço. Lições e mais lições que me faziam morar na sala dos professores. De um número cada vez maior de alunos em sala;
3. Aquela grande razão já cantada de Liza a Lennon... So, gimme mine;
4. Todo um sentimento de Groundhog Day. Fui e voltei das Oropa e parecia que minha vida não tinha mudado em nada;
5. Dar a última e grande chance à arte de lecionar. Provar pra mim mesma que meu descontentamento tinha mais a ver com a escola errada do que com a profissão.

Por isso, fui eu lá me jogar de cabeça em outra piscina gelada enquanto sorrio e digo ao mundo que a água tá uma delícia e, bom, se arrependimento matasse, meu funeral teria sido fevereiro passado because...

1. A FDP da coordenadora me engabelou. Fui explícita ao dizer que só trabalharia com eles e PRECISAVA de no mínimo 8 turmas pra cobrir meu antigo salário. E, pra quem não sabe, ser horista é uma aventura sem fim, a delícia de nunca saber os dígitos oficiais do seu holerit todo mês (mas sempre acabar chorando sentada  na privada do banheiro do serviço se perguntando o quão estúpida é por escolher profissão tão cagada) e bom, por mais que a hora-aula seja bem melhor, tive meu sálario REDUZIDO PELA METADE. Isso porque meu único plano de vida real e concreto era engordar meu porquinho pra voltar pra  ilha, we have to go back, Kate França.

2. Um prazer que eu tinha na escola velha eram as pessoas. Minha ex-coordenadora (e mestra jedi que tudo me ensinou do ofício) em sua grande sabedoria nipô-yodesca me disse uma vez que igual a sala dos teachers do Tremembé, nunca mais veria. E néTô pagando com a língua, corpo, mente e cu. Eu ainda sinto muito prazer em entrar na sala e dar aula e meus alunos são fofos mas ter que ficar perto dos outros professores dali me dá gastura só de pensar. Sabe químicaEntão, não é só com namorado e amigo que a coisa tem que rolar e já tá mais que claro que eles não se adaptaram à mim e vice-versa. De eu chegar na sala de computadores e nego só faltar pular da janela pra não ficar pertoUma situação quase constrangedora. E eu, que quanto mais incomodada fico, mais enfio a cabeça dentro do casulo, pareço a incrível mulher invisível. Entro, sou educada e me escondo em qualquer sala vazia até dar hora de aula e um minuto após o término, praticamente me materializo no ponto de ônibus pra não ter que ficar além do necessário. 

E essa é minha vida. Broken as fuck, deprimida que pareço um zumbi. E encurralada. Quase pedindo demissão pra não ter que lidar mais com esse puta erro que fiz.