Oscar Season Films (parte 1)
Drive: Como começar bem um filme? Assista aos 10 primeiros minutos do filme em questão. Tenso. Bem amarrado. Entregando informações à conta gotas. Você realmente quer saber mais sobre o protagonista. Quer estragar um filme? Coloque um interesse romântico mala pro personagem principal, num filme que pede TUDO menos baboseira romântica e vá de um filme que prometia a um filme desinteressante em minutos. Sem contar que fica muito difícil de acreditar que uma pessoa tão metódica, racional, quase fria em tudo na vida ficaria louco do fiofó em 5 segundos por uma garota gostinho de chuchu e filhinho idem. Sorry, não dá. Mas hey, Ryan está bem camaleônico, lindo e ótimo. As usual. E o resto do elenco masculino que vai de Hellboy à Dotô Walter cozinheiro de Meth também excelente. ✭✭✭
Os Descendentes: Alexander Payne é um diretor que ou você gosta ou não. Sem meio termo. E eu não gosto dele. Election é um porre. About Schmidt é detestável. E acho que só gostei de Sideways porque o vi uma vez e nunca mais. E ter assistido Os descendentes logo depois de A separação me fez ver claramente a diferença que faz quando um diretor tem ou não o mínimo de carinho pelos seus personagens não importanto o quão desprezíveis ou questionáveis eles sejam. A sorte é que como Sideways, a capacidade de atuação dos atores nesse filme levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Por que se depender de Payne, você os odeia do começo ao fim. Tanto quanto ele deve odiar. Acho até que Clooney merece o Oscar por dar tanta dignidade a um homem tão sem saída. ✭✭✭
Ides of March: Não dava nada porque não acho Clooney um bom diretor e me irrita a mania de querer ser Warren Beatty (onde ser galã máximo não é suficiente). Sem contar que a temática política me é brochante. Mas tinha Ryan, boy magia que está muito bem e muito bonito (e tem filme em que não?), Phil Hoffman, Paul Giamatti e olha, que boa surpresa. Coloquei pra rodar no laptop e achei que seria um desses filmes ambiente, que assisto fazendo a unha do pé ou algo do gênero mas não consegui desgrudar os olhos sem nem notar o tempo passar. Muito boas atuações fazendo juz ao hype no ensemble cast. ✭✭✭✭
Millenium: Do mesmo jeito que meu cérebro faz correlações absurdas e nada a ver, ele é burrico pra coisas óbvias como associar a tal trilogia Millenium que foi falada e refalada quando estava na França com o 'novo' filme do Fincher. Tipo, quantos filmes são possíveis com protagonistas tão parecidas e exóticas?? Anyway... Adorei o filme. Não pela trama em si, típico enredo de caça ao assassino, mas pela garota protagonista. Não punha fé nenhuma na tal de Rooney Mara mas ó, segura um filme de quase três horas fácil e você sente falta quando ela não está em cena. Balanceou bem a personagem que já é mais que carregada visualmente se mantendo sóbrea, retraída e sem virar o clichê de 'a garota com óbvios traumas e problemas passados'. Also: Pianinho desafinado de Trent Reznor (na melhor parceria de soundtrack com cinema desde Jonny Greenwood e PTAnderson) já virando marca registrada nos filmes de David Fincher. ✭✭✭✭
A Separação: Poderia também se chamar O Transtorno ou A Tensão. Que filme mais difícil de digerir. Talvez venha daí o hype em torno dele já que é fácil se identificar com os personagens. Quem nunca viveu um problema até então pequeno que foi virando uma bola de neve que te engole psicologicamente? E memórias de uma separação? Ter que enfrentar um tribunal? 'Pepinos' reais que qualquer um poderia ter. E que delícia é assistir um filme com gente tão real, que ao invés de assumir caráters fixos como 'o vilão', 'o mocinho', 'o coitado', todo mundo é tudo um pouco em algum momento do filme e no fim, você não sabe quem tá certo ou errado, quem tomou a atitude correta e se compadece de todos, ficando aliviado com um desfecho. QUALQUER que seja ele... ✭✭✭✭✭

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