Bates Motel
Eu sou insuportável. Sei disso. Não discuto e tento provar o contrário. Sou insuportável, é duro lidar comigo e quando alguém decide sair da minha vida por livre e espontânea vontade, apesar de magoada, quero dar os parabéns a esse ser humano com sanidade o suficiente pra perceber que I ain't no good.
But see, eu ADMITO ser insuportável. Já Mrs. Bates (apelido mais do que generoso pelo qual ando chamando minha mãe) tem um sério bloqueio em admitir verdades como, por exemplo, ser humanamente impossível ficar perto dela. Como ando falando sempre pro doutor João, 'Amo minha mãe. Mas não gosto da minha mãe.' Porque é muito difícil gostar dela.
Ou como já diria 'o outro' - e como me dói dar razão pro que ele dizia- conviver com a minha mãe é complicado porque ela só sabe criticar, é egoísta e acha que a merda dela não fede. E bom, ele morou/aturou ela por 15 anos. Se eler não souber, quem vai?
A questão é: Quem tá presa à ela sou eu. Até que a morte nos separe. E deus, como eu peço pra que ela me chegue logo pra não ter mais que viver com a senhora Bates tupiniquim. Marido, ela largou. Filhos, só a trouxa aqui (e agradeço não ter tido outra pobre alma pra dividir o carma). Familiares, já deram no pé todos por saberem que é dose e osso. Ou seja: FUDEU PRA MIM. Não ando tendo muita escolha.
Fugir pra além mar de novo ainda é minha opção mais viável. Se bem que a maldita culpa católica ainda pesa em meus pobres ombros ateus quando o assunto é ela.
Ir morar sozinha mas ainda em SP também pode ser. Mas só de pensar em ficar aqui que eu quero ir pra ponte estaiada dar uma nadadinha.
Asilo ainda é muito cedo. (Ou não?)
E tem a saída de Norman. Grande garoto que entendia bem como mães são sufocantes e muitas vezes pedem por um refrescante suco de estriquinina numa tarde de verão.
Psicólogos sempre dizem que é preciso 'matar os pais' pra se liberar das neuras. E eu tô quase esquecendo das aspas...
Oi, gato... Me ensina taxidermia???


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