Monday, November 07, 2011


Clever ≠ Lesbian

Resumo da minha vida: Uma porrada de gente me acha sapata. 
Resumo da minha sexual: I like cocks, dicks, wieners and penises...
Então, comofas?

Olha, honestamente, me chamarem de sapatão não ofende tanto quanto me chamam de coitada porque tamô aí na correria com quase 3.0, 4 gatos e zero marido. Por que, né? No meu caderninho, dó é o pior dos sentimentos, mas ainda assim, é foda quando muita gente simplesmente (ou melhor, NÃO simplesmente, porque se fosse fácil assim eu seria dyke) etiqueta tua vida sexual por N razões que não a única razão requerida.

Como já diz amigo meu, gay é o cara que curte piroca. Everywhere IN and AROUND their bodies. Se o cidadão cruza a perna, curte ABBA e tira a sombracelha é de menos. O fator pirú é o que conta. 

Tá. Não curto xaninha. Essa parte tô de boa. Mas então POR QUE RAIOS ainda assim everybody and their moms acham que gosto??? 

Pra mim (e pro Dotô João, que óbvio, ficou já muito com as orelhas vermelhas de escutar sobre o assunto) a questão pega muuuuuuito mais embaixo.

Isso porque:

1. Gosto de homem mas não gosto de gente. Entendem? Sexualmente é ótimo. Socialmente acho insuportável ficar perto deles. Mas não porque são eles. Trabalho só com mulheres e depois de algumas horas quero enfiar minha cabeça no forno. Não gosto de humanos. Ou seja = Sou misantropa. Não lésbica.

2. Tenho problemas com relacionamentos. As 'proto-relações' que tive já nasceram fracassadas e como nunca levei muito essa coisa de find one and marry up, nunca sai me 'amostrando' com os pares de calças em questão porque sempre sei que tem prazo de validade. Culpem mamãe que sempre me mandou estudar muito e trabalhar ao invés de ser charmosa e seduzir os moços. E papai que, né, fudeu tudo desde dia 1 me fazendo uma poster child pra dad issues. Ou seja= Sou base de estudo freudiano. Não lésbica.

3. Aí, de novo, mamãe. Ela queria a Sandy. Teve a Karina. Que queria ficar lendo, falando sozinha no quarto, assistindo filmes quando criança. Que preferia ir na galeria do rock, usar preto, não depilar as pernas nem alisar o cabelo quando adolescente. Que demorou horrores pra aprender a se vestir decentemente. Que mesmo com banho de loja parisiense ainda se recusa a alisar a juba e rói unhas com o fervor de um crente em oração. E poxa, como posso culpá-la mais se ao contrário da maioria das mães que apontariam o dedo e enumerariam tudo o que 'está errado', ela nunca interfiriu por conhecer meu gênio e por saber que eu sou só muito revoltada??? Ou seja = Tenho aceitação materna. Não lésbica.

4. E por fim. Meu maior orgulho. Minha obra prima. Meu feito-mor. Ter cérebro. E usá-lo. Todo dia é e vem sendo como matar um leão com as mãos pra chegar ao tal do autoconhecimento. O desligar pro outro. O perguntar o que eu quero. E é tão lindo ter percebido que eu não vou sofrer nem gastar pra ser fisicamente como acham que eu devo ser. Pra falar o que penso (mesmo sendo agressiva e soando masculina- será que vem daí o tal do 'meu jeito' que engana o povo???). Saber que o combo de felicidade judaico-cristã que é casar+ procriar + ter casa+ carro+ contar pra pagar adeternum NUNCA me apeteceu e eu fujo dele como o diabo da cruz.  Aprender a não ligar se acham que isso é estranho. E seguir em frente. Porque sou inteligente. Não lésbica. 

Go figure, bitches...