Friday, September 09, 2011


Atoa

Passado o susto de ontem (médica disse que tumor não tenho porque não estou convulcionando nem vomitando nem com dor de cabeça- mas vamos fazer uma tomografia pra grarantir), eu posso dizer que fiquei enpudecida com tudo. Ou melhor, com o médico, que passa anos estudando como o cão, tem que ter toda sua base profissional apoiada em fatos e me pronunciona a palavra DEUS no consultório.

Me disseram pra ter calma, que 'foi só forma de falar', que ele não fez por mal. Olha, já não me bastasse ficar extremamente irritada com qualquer religioso que adora empurrar a fé pros outros, num momento em que estou debilitada, sendo encaminhada pra neuro e toda confusa, colocar religião no meio (mesmo que com boas intenções), me tira do eixo. Ética nenhuma.

Aí, claro, durante todo o dia de ontem, me diseram muuuuuitas vezes que se deus quisesse não era nada. Sério, viu, as pessoas realmente não sabem lidar comigo nem me conhecem. Se realmente tivesse algo de ruim na cabeça, até parece que ia me apegar em amigos imaginários que moram no céu. 

Pra se ter uma idéia, enquanto esperava o dia todo pela consulta, minha paranóia e eu só pensamos que se eu tivesse algo no cérebro, mas era pra já que ia passar o que me restasse de vida em Paris. Voo só de ida. Aproveitar ao máximo. E como eu (as in minha biologia, meu corpo, minha estrutura molecular) sou toda cagada e estragada e tal. Nada de achar que foi porque Odin quis nem pedir pra Khrisna me tirar daquela furada.
Juro que não me passou pela cabeça em nenhum segundo pedir pra deus não ser nada. Até porque se fosse, já estava lá e se está lá, só resta tentar tirar com ajuda médica. O que desmente aquela velha piada que diz que ninguém é ateu num voo em turbulência. Quem é ateu é ateu e continua ateu. Vai ficar puto se estiver com tumor, vai se lamentar que o avião tá caindo e vai se irritar se o médico usar religião durante a consulta. 

Porque fé, ao contrário de tumores, quando não se tem, também não se 'brota' dentro do cérebro.