Panis et Circencis
Às vezes me pergunto como as pessoas conseguem viver sem arte na vida. Sabem? Uma vida casa-trabalho-casa sem mais nada pra ter com o que sonhar. Ainda mais quando vejo tanta gente ao meu redor se acabando de trabalhar pra sempre ter, ter, ter.
Bom, como sou neo-hippie e prezo o ser mais que o ter (senão, né? Seria nada...) eu sou sempre a boba encantada com as poucas coisas que me fazem sair da cama diariamente.
Por exemplo, fui ver a peça do meu amigo num dia de semana que deveria ser mais adulta e estar trabalhando mas preferi ser feliz e ir assistir gente cantando músicas nostálgicas, sapatear e vocês sabem, is up to you, new york, new york (and everybody else).
Adoro me sentir criança. Me debruçar no balcão (sim, teve todo o luxo e o glamour de assistir a peça do balcão, mais nobreza impossível) com cara de 'dããã'. Como descrevi a um velho amigo meu ainda amor pelo cinema. O fato de ter desistido de trabalhar na área não tirou meu brilho de assistir a um filme e amá-lo como idiota e ficar com aquele sorriso de boba na cara.
E fico triste porque tem tanta gente como minha mãe, que se preocupa tanto com o pão e esquece do circo. Não foi à peça porque god forbid ir dormir depois da meia-noite. Tem que trabalhar no dia seguinte (como se eu não tivesse que estar às oito já dando aula). Nunca gastar dinheiro com táxi pra voltar pra casa. Ai, que desperdício. Sempre ter um 'mas'. Brochante.
Enquanto eu só sobrevivo porque o que me deixa menos deprimida right now é esquecer da realidade e ir dançar o time warp sozinha na sala, me mijar de rir com os Buth fazendo Arrested Development marathon ou ficar deprê porque não estava no madison square graden pro último show do LCD. É escapismo sim, mas se não fosse isso, já teria escapado da vida de pão, ó, faz um tempão...

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