Sunday, January 09, 2011


Perdidos em algum lugar


Tô tentando lembrar de alguém que tenha retratado o mundo 'cool' como algo tão entediante e vazio como Sofia Coppola. Não consegui lembrar de ninguém.

E não, a sentença acima não é uma crítica e sim um elogio. Um grandão!

Pense assim, TODO mundo no mundo, da criança sonhadora ao adulto inconformado com a vida de 9 às 5 já se imaginou sendo estrela de cinema, astro do rock, celebridade pop. Porque a vida do lado de lá parece infinitamente mais bela e fácil.

Mas aí Sofia, nascida em berço de ouro Hollywoodiano, criada no meio das estrelas, hoje hipster entre bandinhas indie e estilistas idem, mostra que miséria é miséria anywhere. Anyhow. E pode ser pior quando não se tem que labutar pra esquecer. Vazio enrolado no dinheiro é pior que vazio sem um puto no bolso.

Ela olha com uma certa dó e piedade pra essa vida meio patética porque é também a dela e de todos ao seu lado. Será que seus peers ao assitirem Lost in Translation e agora Somewhere percebem isso?

So, Elle Fanning (que deve ser a menina mais linda que vi em muito tempo numa tela de cinema) é a única tábua de realidade do pai, Stephen Dorff, astro em decadência (não são todos?) vivendo como todo astro deve viver (segundo nós mortais) em uma rotina em slow motion. Glamour lento que o mata segundo à  segundo. Cenas leeeentas porque é assim a realidade do protagonista. Um pool dancing sendo o ponto alto de um dia ou semana.Vida de merda com milhões e Ferrari. E a garota ilumina o filme quando aparece porque ela ilumina o pai. Ela ilumina a vida dele. Até quando não presente, mas tem seu nome citado pelo astro, faz o astro parecer vivo. E essa é a histórinha episódica de como os dois passam alguns dias juntos (o que parece raro) e dão um 'acorda' no ator sobre o que é aquilo que ele chama de vida.

Não vi o filme como uma mensagem de que o mundo de cá, com familinha estruturada, empreguinho de bosta e conta de luz pregada na geladeira  que é real e sim que ali, naquele momento, para aquele homem, a filha, a estabilidade, o dar pra si mesmo e pra menina uma casa que não seja um quarto de hotel é o que tem que ser feito.

E pra mostrar que todo mundo, nós desejando o mundo de 'lá', e eles  o vivendo, precisamos de mais realidade, não importa qual ela é...