Wednesday, December 15, 2010

Wise up

Uma vez li sobre um psicólogo cujas teorias sobre suicídio são brilhantes. Porque, apesar de ser um tema que deixa muita gente desconfortável, é, como tudo na vida, uma escolha, e segundo ele, a única que nos dá possibilidade de reverter a falta de controle sobre a morte já que nós escolhemos o momento ao invés de esperar por ele.

E ele também faz um resumo do sentido da vida. Morrer é retornar a obliviedade. Pra onde 'estávamos' antes de nascer, ou seja, o nada. E no nada, não há memória. Por isso, pouco importa o quão maravilhosa ou horrível a sua vida tenha sido já que ricos e famosos não lembrarão de seus privilégios em vida tanto quanto o mendigo de rua com fome e frio.

O que dá muita brecha pra releftir. Por que as pessoas se esforçam tanto em 'continuar'? Qual o grande prazer de viver, afinal? Momentos de felicidade e realização pessoais sempre foram tão ínfimos pra mim que sempre me questiono se é assim com os outros quase 7 bilhões perdidos por ai. Vale a pena mesmo ou não é o máximo da negação? "Nasci mesmo, já era, cagada-mor feita, não resta nada mais a fazer senão keep on walking..."

Ando pensando nisso horrores. O mundo é uma grande bosta rasa e gananciosa. Meus pais não fizeram bem o serviço, sabe? Não sei viver nessa bola d'água e pedra. Não li as regras antes do jogo. E cada vez mais vejo menos perspectiva. As escolhas não me apetecem e viver uma subvidinha, o tal do só existir não me agrada também. Eu sempre serei inconformada. Estarei sempre insatisfeita. Como já me disse uma pessoa muito mais evoluída e esperta que eu, eu sou número 4, nunca vou parar de querer o impossível.

E longe de mim fazer draminha de "Ai, vou ali me matar" porque sou velha demais pra ser emo, mas, honestamente, hoje mais do que nunca, é uma opção. Acho digno. Saber quando sair da festa. Ir embora quando não gosta mais da situação. Se não fiz antes em tempos de muito mais depressão foi pela minha mãe. Sempre penso que isso acabaria com ela. Ou não, nem sei mais. Cada dia me sinto mais encurralada tento que escolher entre os 'menos piores'. Tá muito difícil. 

E sempre me vem a frase da letra da música da Aimee Mann: "It's not going to stop; So just give up".  É a realidade, giving up pode ser wising up. O mundo e suas regras não vão mudar de uma hora pra outra. Pode se entrar em campo e jogar, ficar no banco, só assistindo - como venho fazendo faz tempo demais- ou levantar e ir embora, oras. Qual o problema? Todo mundo vai embora um dia mesmo. E a obliviedade sempre me tentou. Tudo na vida me parece um saco e o nada não causa a angústia que esse tudo traz.