Friday, December 03, 2010

Por um fio

Eu sei que eu só tenho um assunto mas a filhadaputagem dos que me empregam é tanta que eu juro que olho pro teto procurando por uma câmera oculta de algum programa de "humor" francês (as if) chamado 'Fudendo imigrantes e rindo na moral'.

Mês passado foram os 40€ que ela não quis pagar. Esse mês foram as porras das refeições. Vejam bem, eu ganho 80€/semana por 30 horas de trabalho (é, eu também fiz a conta - são 2.6€ por hora... ai, minha vida patética...) mais as refeições que eu não faço na casa deles. E bom, como desde dia 1 fui enxotada com porta travada por dentro pra ter certeza de que não entro lá senão pra trabalhar, dou é graças a Alá que me pagam 5€ pra não comer com eles.

Esse mês, só jantei lá nos poucos babysittings que fiz e a bagatela do meu custo alimentar saiu por 320€. Que ela achou errado e 'trop' e 'pas raisonable' porque, né? HOW DARE I SPEND MONEY ON EATING? E olha, ouvir de milionariozinho que gasta essa mesma quantia em camarão refogado (porque eu trabalho na casa deles e vejo documentos e recibos espalhados) que vão ter que 'apertar o cinto' é demais. (Oi? Não é você piranha que foi celebrar duas vezes semana passada tua segunda promoção e teu marido tá saindo da empresa pra COMPRAR a maior agência imobiliária de Paris? EU TENHO OUVIDOS, SUA PUTA!)

Nem jogo voodoo na prosperidade alheia. Desejo que ganhem dinheiro o suficiente pra poderem se limpar com nota de cem euros. Que comam dinheiro, até. Só fico muuuuito puta porque renegam mixaria. Me jogam num calabouço que nem calefação tem, chamam isso de 'dar moradia', pegam uma au pair, fazem de nounou e doméstica e AINDA reclamam de me pagar a comida. Vai pagar nounou de verdade, 1500€/mês, vai. Que não viaja com eles. Que não vai ficar limpando a porra da cozinha todo dia que a mulher da limpeza não vem. Que vai cobrar 12€ pela hora do babysitting. Que pode falar não sem correr o risco de ser expulsa já que não depende deles pra morar. Ah, não né?

Agora, mais do que nunca, eu não consigo mais entender o que eu continuo fazendo aqui. Mesmo. E ter que escolher entre isso e voltar pro Brasil que vai me dar um emprego melhor mas uma qualidade de vida péssima é demais e me deixa tão próxima de surtar que não é  nem mais engraçado.