The toilette situation
Eu moro num studio sem banheiro (porque chuveiro eu tenho- toda casa francesa separa o lugar de cagar do de tomar banho) e divido a latrina com a au pair dos primos.
Antes da Alison chegar à familía, tinha uma outra lá. Essa outra, por sinal, ajudou em muito na minha miséria nos primeiros dias lá na Normandia. Não bastasse a vó me dando a hard time, eu me ferrando com língua, esse ser que vem da Geórgia (isso, vai olhar no mapa que o paisinho de fundo de quintal dela é tão insignificante que saiu da urss pra virar mais uma terrinha de onde só saem putas do leste europeu) se achava a última bolacha do pacote. Típica estrangeira que se esforça horrores pra posar de francesa. Tenta falar sem sotaque, comer, se vestir e ser uma francesinha linda. Mas de longe se ve que é uma rampeira do lado ruim do continente.
Ódio? Sim, porque nada me acelera mais do que uma au pair que não ajuda a outra. Sabe agente duplo? Então, au pair que "trai" o movimento come na minha mão. E ela a-do-rou me ver me fuder naqueles dias infernais. Chegou a rir porque comecei a comer a salada antes do prato principal (coisa que os franceses fazem depois), falava MAIS RÁPIDO que os próprios franceses comigo e não me ajudou em nada. Pura maldade, a piranha.
Pois qual não foi a minha tristeza quando Ginger Al me disse que era a coisa que estava voltando. Não que eu tivesse esperança que a futura au pair dos primos fosse uma English-speaker adoradora de Radiohead e que bebesse como um Irlandês mas foi très triste saber que a porta do outro lado do corredor passaria o próximo ano intocada por mim.
E bom, não fosse a privada, poderia seguir feliz com a minha vida sem nem lembrar da existência da sirigaita MAS, NÉ? Até parece... Com a Alison, nunca teve um conflito. No caso, era bem assim, ninguém nunca teve que virar pra outra e lembrar. Quando tava sujo, uma das duas ia e limpava, colocava papel. Era zona neutra e tranquila como as pessoas que ali frequentavam. Já agora... Bom, logo de cara a descarga quebrou. Fui direto nos bosses e comuniquei. Veio alguém e arrumou. Ai, a puta traz o macho negão dela aí e ele usa a privada E DEIXA A TAMPA LEVANTADA (eu, ao contrário, não preciso trazer meu namorado aqui. Ele tem apê grande e melhor que o meu e até de fim de semana-quando estaria mais prédisposta a usar isso daqui- estou lá). E todo dia tem amiga da piranha aqui (o barulho de gralhas no cio faz com que eu saiba que estão na área) e elas também vão mijar lá no comunitário. Até ai, quero que se foda se evacuam no mesmo lugar que eu.
AGOOOOORA, vir bater na minha porta pra marcar regrinha de limpeza e o escambau? HA HA HA. Meu cu, mocréia da Sibéria. Não limpei. Não limpo. E não limparei enquanto dividir essa merda (ou buraco de) com ela e a entourage dela. Dei respostinha atravessada e ainda insinuei que tem homem mijando ali e sujando tudo e minha bola de cristal me alertou que não vai ficar por isso mesmo.
Nunca o termo "estou cagando e andando" foi mais apropriado!

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