Biutiful
Lembro o quanto achei linda a idéia da qual vinha o nome do filme 21 gramas: O peso da alma. E como algo tão leve pode pesar tanto durante todo o caminho em que percorre dentro de uma vida.
Ontem fui ver o novo filme do mesmo diretor, Alejandro Iñárritu. Mais um filme sobre almas bem pesadas que querem só ficar leves pra sair. Biutiful merece muito o nome que ganhou. Um filme lindo, despretencioso, nada cínico e arrebatador.
Uxbal é um homem como qualquer outro tentando sustenta os dois filhos como dá (na ilegalidade) numa Barcelona melancólica e cinzenta. Sente-se o peso do seu fardo em ter que fazer as coisas que faz "profissionalmente" por causa dos filhos, tem remorso, culpa, não esquece.
Quer dar uma chance pra mãe dos garotos porque, bom, ela é a mãe, mas sabe que, bipolar, a mulher não consegue se sustentar com as próprias pernas, quem dera ser bom exemplo pras duas crianças. E ele tenta ser tudo que o pai dele não foi por ter morrido cedo demais. Pai esse cuja memória o ronda por um vazio que ele nunca poderá preencher.
E Uxbal vai morrer. Mesmo tendo um "dom" de liberar almas pro seu descanso final, ele sabe que não pode e não está preparado pra ir embora porque, como leram acima, é muita coisa não resolvida e mesmo alguém com a certeza de que a morte não é o fim, nunca se quer deixar nada sem acabar. Ou talvez não se queira deixar a vida e pronto.
Chega a ser poética a simplicidade de o como a morte (ou as mortes) do filme é mostrada. Pessoas morrem NA HORA que morrem. Não ao finalizar projetos, completar desejos ou sentir que tudo está melhor. Conformidade é a única coisa que resta. E como é um grande correr atrás do próprio rabo tentar enganar os ponteiros do relógio que cada um tem dentro de si e que está sempre contando um segundo a menos.
É um contraponto à um filme que também amo muito, Minha vida sem mim, porque ao contrário de Anna, Uxbal sabe (ou aprende) que é impossível tentar ajeitar tudo. A mãe inadequada, os trabalhadores ilegais, a pobreza, a miséria, é o que tem pra hoje. E é o que terá pra amanhã também. Com ele ou sem ele.
Ontem fui ver o novo filme do mesmo diretor, Alejandro Iñárritu. Mais um filme sobre almas bem pesadas que querem só ficar leves pra sair. Biutiful merece muito o nome que ganhou. Um filme lindo, despretencioso, nada cínico e arrebatador.
Uxbal é um homem como qualquer outro tentando sustenta os dois filhos como dá (na ilegalidade) numa Barcelona melancólica e cinzenta. Sente-se o peso do seu fardo em ter que fazer as coisas que faz "profissionalmente" por causa dos filhos, tem remorso, culpa, não esquece.
Quer dar uma chance pra mãe dos garotos porque, bom, ela é a mãe, mas sabe que, bipolar, a mulher não consegue se sustentar com as próprias pernas, quem dera ser bom exemplo pras duas crianças. E ele tenta ser tudo que o pai dele não foi por ter morrido cedo demais. Pai esse cuja memória o ronda por um vazio que ele nunca poderá preencher.
E Uxbal vai morrer. Mesmo tendo um "dom" de liberar almas pro seu descanso final, ele sabe que não pode e não está preparado pra ir embora porque, como leram acima, é muita coisa não resolvida e mesmo alguém com a certeza de que a morte não é o fim, nunca se quer deixar nada sem acabar. Ou talvez não se queira deixar a vida e pronto.
Chega a ser poética a simplicidade de o como a morte (ou as mortes) do filme é mostrada. Pessoas morrem NA HORA que morrem. Não ao finalizar projetos, completar desejos ou sentir que tudo está melhor. Conformidade é a única coisa que resta. E como é um grande correr atrás do próprio rabo tentar enganar os ponteiros do relógio que cada um tem dentro de si e que está sempre contando um segundo a menos.
É um contraponto à um filme que também amo muito, Minha vida sem mim, porque ao contrário de Anna, Uxbal sabe (ou aprende) que é impossível tentar ajeitar tudo. A mãe inadequada, os trabalhadores ilegais, a pobreza, a miséria, é o que tem pra hoje. E é o que terá pra amanhã também. Com ele ou sem ele.

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