O fantástico senhor Anderson
Ontem finalmente (e como de costume, no dia da estréia no país em que vivo) assisti a única animação que devo ter realmente esperado anciosamente pra ver na vida. E valeu a pena por que óbvio, antes de uma animação, é um filme do meu diretor favorito (um dos três).
Por isso, antes de mais nada, se algum dia você assistiu Bottle Rocket, Rushmore, The Royal Tenenbauns, Life Aquatic e/ou Darjeeling Limited e achou tudo aquilo pretencioso, chato, moroso, estilisado demais e o escambau, não vá assistir a animação em stop-motion baseado num livro de crianças Fantástico Sr. Fox por que é stop-motion sim, é Roald Dahl sim, mas é Wes Anderson até dizer chega. Ou talvez deva ir, sim.
Fã avida e fervorosa, ria sozinha ao descobrir as nuances e piadas internas escondidas em cada frame de filme. E criando um mundo seu, from the scratch (or dough), fica muito mais fácil pra Wes jogar todas as suas referências (sem matar o cenografista de stress como deve acontecer em filmagens reais do diretor).
Vejamos: Ash é a versão raposa de Max Fisher (talvez antes de adquirir alguma autoconfiança but still...), Mr. Fox e Mrs. Fox são Royal (o eterno scumbag que não consegue não ser mal-caráter mesmo tentando) e Etheline (a mulher fina, sofisticada e inteligente que mesmo assim não consegue resisitir -e até se questiona como- ao carisma do safado marido). Bill Murray marmota é Bill Murray Zissou, mal-humorado e grosseiro. A interação entre a dupla de raposas mirins se parece muito com o da prole Tenenbaum com Ash, o baixinho renegado Stiller, e Kristofferson, o esbelto e reconhecido (que em certo momento até parece ostentar uma bandana de tênis como Baumer) como Luke Wilson e o ciúme entre os dois. Mesmo os coadjuvantes como a marmota bully que lembra Angus, o escocês que adoraria arrancar um teco de Fisher, o técnico Skip igualzinho ao técnico Beck (e serem dois irmãoes Wilsons ajuda na hora da semelhança) e Kyllie, o fiel companheiro de Fox, "um estrangeiro" sem nome em latim que poderia muito bem ser o grande Pagoda.
Sem contar a trilha que tem que ter um lado B dos Stones (e Jarvis Cocker!), a cenografia lembrando os travellings internos da mansão Tenenbaum ou navio Zissou, os planos de fuga à la Bottle Rocket, viagem de motocicleta como em Darjeeling, citações em Latim e Francês, dança no final, capa de livro no começo. Ah, e cachorros Beagles, claro!!!!
Mas o que ficou claro é que, se pra uma louca neurótica tudo é lindo e fofo e delicioso de se ver, o estilo de Anderson se encaixa muito bem com o estilo animação. Mesmo os detratores devem admitir isso. Quantas vezes li/escutei que os filmes de Wes são forçados demais, staged demais e que nem parecem gente de verdade? Num desenho, isso não se aplicaria, certo? E por isso, acredito que uma criança se divertiria sim assistindo a esse filme (no caso, bem mais do que com Where the wild things are que é cerebral e até assustador demais). Sem muito maquineísmo e papo-cabeça, penso que pode ser o filme mais acessível de Anderson. Sem contar que tudo em stop-motion (e a perfeição com que a técnica foi usada) são um bônus no mundo 3D e estéril de hoje em dia. E kudos pra perfeição dos narizes e pêlos das rapozinhas e pra criatividade visual do fogo na cidade. E pra cena do lobo, também. Quer saber, pra tudo!! Preciso (e vou) assistir de novo. Só pra achar mais similaridades e coincidências. E pra me divertir já que Anderson quase nunca desaponta.

Por isso, antes de mais nada, se algum dia você assistiu Bottle Rocket, Rushmore, The Royal Tenenbauns, Life Aquatic e/ou Darjeeling Limited e achou tudo aquilo pretencioso, chato, moroso, estilisado demais e o escambau, não vá assistir a animação em stop-motion baseado num livro de crianças Fantástico Sr. Fox por que é stop-motion sim, é Roald Dahl sim, mas é Wes Anderson até dizer chega. Ou talvez deva ir, sim.
Fã avida e fervorosa, ria sozinha ao descobrir as nuances e piadas internas escondidas em cada frame de filme. E criando um mundo seu, from the scratch (or dough), fica muito mais fácil pra Wes jogar todas as suas referências (sem matar o cenografista de stress como deve acontecer em filmagens reais do diretor).
Vejamos: Ash é a versão raposa de Max Fisher (talvez antes de adquirir alguma autoconfiança but still...), Mr. Fox e Mrs. Fox são Royal (o eterno scumbag que não consegue não ser mal-caráter mesmo tentando) e Etheline (a mulher fina, sofisticada e inteligente que mesmo assim não consegue resisitir -e até se questiona como- ao carisma do safado marido). Bill Murray marmota é Bill Murray Zissou, mal-humorado e grosseiro. A interação entre a dupla de raposas mirins se parece muito com o da prole Tenenbaum com Ash, o baixinho renegado Stiller, e Kristofferson, o esbelto e reconhecido (que em certo momento até parece ostentar uma bandana de tênis como Baumer) como Luke Wilson e o ciúme entre os dois. Mesmo os coadjuvantes como a marmota bully que lembra Angus, o escocês que adoraria arrancar um teco de Fisher, o técnico Skip igualzinho ao técnico Beck (e serem dois irmãoes Wilsons ajuda na hora da semelhança) e Kyllie, o fiel companheiro de Fox, "um estrangeiro" sem nome em latim que poderia muito bem ser o grande Pagoda.
Sem contar a trilha que tem que ter um lado B dos Stones (e Jarvis Cocker!), a cenografia lembrando os travellings internos da mansão Tenenbaum ou navio Zissou, os planos de fuga à la Bottle Rocket, viagem de motocicleta como em Darjeeling, citações em Latim e Francês, dança no final, capa de livro no começo. Ah, e cachorros Beagles, claro!!!!
Mas o que ficou claro é que, se pra uma louca neurótica tudo é lindo e fofo e delicioso de se ver, o estilo de Anderson se encaixa muito bem com o estilo animação. Mesmo os detratores devem admitir isso. Quantas vezes li/escutei que os filmes de Wes são forçados demais, staged demais e que nem parecem gente de verdade? Num desenho, isso não se aplicaria, certo? E por isso, acredito que uma criança se divertiria sim assistindo a esse filme (no caso, bem mais do que com Where the wild things are que é cerebral e até assustador demais). Sem muito maquineísmo e papo-cabeça, penso que pode ser o filme mais acessível de Anderson. Sem contar que tudo em stop-motion (e a perfeição com que a técnica foi usada) são um bônus no mundo 3D e estéril de hoje em dia. E kudos pra perfeição dos narizes e pêlos das rapozinhas e pra criatividade visual do fogo na cidade. E pra cena do lobo, também. Quer saber, pra tudo!! Preciso (e vou) assistir de novo. Só pra achar mais similaridades e coincidências. E pra me divertir já que Anderson quase nunca desaponta.


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