Sunday, January 31, 2010

Verdades

Quem pode dizer o que faz uma pessoa feliz? Ter uma família? Um amor? Filhos? Dinheiro e toda a estabilidade e indulgências que ele compra? Inteligência? Carreira? Fama? Quanto mais vivo, mais acho que é tudo isso e nada disso.
Um bom filme sobre o tema é Up in the air. A primeira pequena felicidade foi não saber do que se trata (o trailer não diz nada mesmo e nem tive tempo de ler sobre ele) e ir me surpreendendo minuto a minuto. A última foi perceber que o filme não entrega respostas fáceis.
O personagem de Clooney tem um trabalho heterodoxo. Vive viajando e é contratado pra demitir pessoas. Depois do caos financeiro mundial recente, dá pra imaginar o quão ocupado ele anda (ou voa). Poderia cair no clichê do homem que "evita a vida" (até jogam essa desculpa na cara dele umas duas vezes...) já que ele viaja leve como dizem os que falam inglês, tanto no sentido físico como no psicológico. De hotel em hotel, ele se "desapega" do supérfluo (e até faz carreira disso com palestras inspiracionais) e tem como pequenas felicidades as mordomias que seus cartões de fidelidade lhe proporcionam. Ah, sua maior ambição é atingir o seleto grupo das 100 mil milhas voadas. Just because, já que ele não parece querer rodar o mundo em 80 dias.
E tem o casinho dele. Uma mulher já não tão nova e bem esclarecida que, como ele, de hotel em hotel for business, parece confortável com a casualidade da relação.
E tem a garota novinha. Um "ace" em ascenção. Que assim como quase todo mundo que é jovem, acha que a vida é aquela caixinha quadrada, onde o TEM QUE meio que é modus operandis.
E tem todos aqueles demitidos, sabem aquelas pessoas que passaram a vida inteira numa empresa e são descartadas solenemente por hoje serem obsoletas? E aquelas que largaram sonhos em busca do TENHO QUE e agora não têm nem sonho nem sálario pra pagar as despesas que TIVERAM QUE adquirir?
E tem o casal que toma a corajosa decisão (sim, como alguém que escolheu outra opção ao combo marido+ filhos, eu ainda admiro quem escolhe esse quadradinho...) e obviamente estão receosos com tudo que vem pela frente.
E tem as verdades de todas essas pessoas. Um incessante correr atrás da felicidade. A passageira e bem preciosa. A duradoura mas não tão fácil. O cair e ver que não aconteceu. E o levantar e continuar procurando. A jornada, mais que o destino, sabem? É bem isso...
O que me faz feliz é olhar pra cidade que eu moro hoje em dia e ver o que consegui. Mas nem por isso não vou dormir muitas vezes bem insatisfeita com o que não tenho ou escolhi não ter. Como, acho eu, todo mundo no mundo.