Pra criança?
Sempre achei que meus filhos hipotéticos se ferrariam federalmente porque nunca me imaginei lendo livros pra ninguém... sempre achei uma coisa chata. Cada um que aprenda a ler e leia por si próprio.
Eis que o mundo girou, a lusitânia rodou (nossa, eu sou velha mesmo...) e cá estou eu, com uma pessoinha que tem uma mega coleção de livros mas apenas 2 -quase 3- anos e portanto, não lê sozinha. E eis que eu aprendi a gostar (e me interessar) por livros infantis. Primeiro que é delicioso imitar vozes. Depois que com criança é fácil ver se o negócio tá rolando ou não (e na dúvida, troque de exemplar correndo). E por que (como em tudo que é criado pros pequenos) nada é o que parece ser. Você descobre coisas idiotas e idiotizantes, malícias, preconceitos e muitas vezes, delícias pra qualquer idade.
Tá. Mas não é pra falar das minhas quintas de babysiting colocando a Colette na cama que eu comecei a escrever esse post. É sobre um livro americano chamado WHERE THE WILD THINGS ARE. Uma vez, lá na minha vida americana que não existe mais, na sessão infanto-juvenil (não pergunte...) da Barnes & Noble me vi lendo (ou descobrindo) "clássicos" como Dr. Seuss, Lewis Carol (resumido e com desenhos...) e li em 3 minutos o livro em questão.
Era uma história curtissíma sobre um peraltinha chamado Max (é, meu filho imaginário, irmão da Sofia, seria um Max...) que vai pra cama mais cedo por que aprontou e resolve "se mudar" prum mundo só seu com coisas tão peraltas (ou selvagens) quanto ele. Lá, ele aprende uma lição e fica mais bonzinho. Fim.
Ai vem o Spike Jonze e resolve adaptar a obra (como fazer um longa-metragem sobre um livro com que pode ser lido em minutos???).
E então eles me fazem um trailer épico, com uma das poucas músicas do mundo que me faz querer sair na rua chorando de felicidade e abraçando estranhos e bichos peludos com puppy eyes e eu me rendo. Contei nos dedos os dias pra conferir.
Onde as coisas selvagens estão? Dentro de nós, óbvio. E nada mais selvagem que um cérebro em formação. Max, não o do livro, mas o da cabeça de Jonze, tá a flor da pele. Ignorado pela irmã, sem o pai, mamãe (ou diria a DEUSA Catherine Keener- desafio qualquer um a achar um filme- mesmo ruim- em que ela não esteja no mínimo maravilhosa... sério, dúvido vocês acharem...) amorosa mas incompreendida, ele está sozinho e perdido na sua transição entre ser criança dona do mundo e ser mais consciente de tudo.
Por isso ele foge prum mundo só dele, onde ser menino peralta é permitido e monstrengos gigantescos mordem, se jogam, pulam estabanadamente, destroem tudo pelo prazer de fazê-lo e são em suma, coisas selvagens como meninos travessos de 10 anos. Só que cada monstro é um alter-ego de alguém. A maioria é o próprio Max, nunca escutado e ignorado, destrutivo, solitário. É onde entra a grande diferença entre filme e livro e todas as nuances da vida real não compreendidas pelo menino. Entre guerras de bolas de lama e braços perdidos :P, a criança percebe que tem que crescer e que ser feliz o tempo todo é algo quase impossível, mas tentar, não. E é bom começar a aprender desde cedo. Lindo filme sobre crianças. Mas pra gente grande ver.
Considerações:
-Nada contra a trilha feita pela Karen O. Curti muito, por sinal. Mas custava colocar o Arcade Fire pelo menos nos créditos?? Odeio quando sou enganada assim por um trailer.
-Tem gente chamando os monstros de assassinos e o escambau. Agora vá contar em quantas histórias infantis pessoas são devoradas ou pior. Literatura infantil é cruel, kids...
-Lembro bem quando um professor contou que o Sol ia "acabar" um dia e como isso me afetou (eu era uma criança muuuito estranha e impressionável. Ainda sou uma adulta igualzinha). Adorei me ver literalmente retratada no filme numa cena idêntica. Professores do mundo, ISSO CHOCA, ok?
-Spike sans Kaufmann. Aprovado!
-O menino Max chama Max na vida real. Adoro.
-As vozes são perfeitas. Eu quero uma KW pra mim (peraí, eu já tenho mãe...) e um Alexander (mesmo com bracinho de galho de árvore.)
Eis que o mundo girou, a lusitânia rodou (nossa, eu sou velha mesmo...) e cá estou eu, com uma pessoinha que tem uma mega coleção de livros mas apenas 2 -quase 3- anos e portanto, não lê sozinha. E eis que eu aprendi a gostar (e me interessar) por livros infantis. Primeiro que é delicioso imitar vozes. Depois que com criança é fácil ver se o negócio tá rolando ou não (e na dúvida, troque de exemplar correndo). E por que (como em tudo que é criado pros pequenos) nada é o que parece ser. Você descobre coisas idiotas e idiotizantes, malícias, preconceitos e muitas vezes, delícias pra qualquer idade.
Tá. Mas não é pra falar das minhas quintas de babysiting colocando a Colette na cama que eu comecei a escrever esse post. É sobre um livro americano chamado WHERE THE WILD THINGS ARE. Uma vez, lá na minha vida americana que não existe mais, na sessão infanto-juvenil (não pergunte...) da Barnes & Noble me vi lendo (ou descobrindo) "clássicos" como Dr. Seuss, Lewis Carol (resumido e com desenhos...) e li em 3 minutos o livro em questão.
Era uma história curtissíma sobre um peraltinha chamado Max (é, meu filho imaginário, irmão da Sofia, seria um Max...) que vai pra cama mais cedo por que aprontou e resolve "se mudar" prum mundo só seu com coisas tão peraltas (ou selvagens) quanto ele. Lá, ele aprende uma lição e fica mais bonzinho. Fim.
Ai vem o Spike Jonze e resolve adaptar a obra (como fazer um longa-metragem sobre um livro com que pode ser lido em minutos???).
E então eles me fazem um trailer épico, com uma das poucas músicas do mundo que me faz querer sair na rua chorando de felicidade e abraçando estranhos e bichos peludos com puppy eyes e eu me rendo. Contei nos dedos os dias pra conferir.
Onde as coisas selvagens estão? Dentro de nós, óbvio. E nada mais selvagem que um cérebro em formação. Max, não o do livro, mas o da cabeça de Jonze, tá a flor da pele. Ignorado pela irmã, sem o pai, mamãe (ou diria a DEUSA Catherine Keener- desafio qualquer um a achar um filme- mesmo ruim- em que ela não esteja no mínimo maravilhosa... sério, dúvido vocês acharem...) amorosa mas incompreendida, ele está sozinho e perdido na sua transição entre ser criança dona do mundo e ser mais consciente de tudo.
Por isso ele foge prum mundo só dele, onde ser menino peralta é permitido e monstrengos gigantescos mordem, se jogam, pulam estabanadamente, destroem tudo pelo prazer de fazê-lo e são em suma, coisas selvagens como meninos travessos de 10 anos. Só que cada monstro é um alter-ego de alguém. A maioria é o próprio Max, nunca escutado e ignorado, destrutivo, solitário. É onde entra a grande diferença entre filme e livro e todas as nuances da vida real não compreendidas pelo menino. Entre guerras de bolas de lama e braços perdidos :P, a criança percebe que tem que crescer e que ser feliz o tempo todo é algo quase impossível, mas tentar, não. E é bom começar a aprender desde cedo. Lindo filme sobre crianças. Mas pra gente grande ver.
Considerações:
-Nada contra a trilha feita pela Karen O. Curti muito, por sinal. Mas custava colocar o Arcade Fire pelo menos nos créditos?? Odeio quando sou enganada assim por um trailer.
-Tem gente chamando os monstros de assassinos e o escambau. Agora vá contar em quantas histórias infantis pessoas são devoradas ou pior. Literatura infantil é cruel, kids...
-Lembro bem quando um professor contou que o Sol ia "acabar" um dia e como isso me afetou (eu era uma criança muuuito estranha e impressionável. Ainda sou uma adulta igualzinha). Adorei me ver literalmente retratada no filme numa cena idêntica. Professores do mundo, ISSO CHOCA, ok?
-Spike sans Kaufmann. Aprovado!
-O menino Max chama Max na vida real. Adoro.
-As vozes são perfeitas. Eu quero uma KW pra mim (peraí, eu já tenho mãe...) e um Alexander (mesmo com bracinho de galho de árvore.)


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