Friday, November 06, 2009

Pra frente nós vamos

Já escrevi aqui como gosto de assistir "pequenas surpresas", filmes que, por falta de melhor explicação, não tem muitas pretenções (de novo, parece pejorativo, mas não é...) e acabam mexendo muito mais comigo do que grandes produções já nascidas pra sensibilizar.
Eu tentei gostar de Beleza Americana. Juro. E até assisto se estiver passando na TV (não recuso Kevin Spacey, seria sacrilégio) mas tem alguma coisa de muito off dentro dele que simplesmente não me toca. Talvez seja a superestimação de já ter nascido "consagrado" como retrato da sociedade americana blá blá blá...
Foi apenas um sonho me deixou mal mesmo. Tipo de sentimento que sinto ao assistir Lars Von Trier (aliás, desisti desse cara... baixei Anticristo e assisti 20 minutos. Chega, posso muito bem levar uma vida cinéfila completa e feliz sem suas manipulações) e senti um pouco de raiva do tratamento que Sam Mendes deu ao casal Kate Winslet/ Leo diCaprio nesse filme.
Não sei se por ter sido "born and raised" por Scorsese, Truffaut e Anderson[2] -que amam tanto seus personagens mesmo eles sendo tão falhos- mas nada me doi mais do que ver um diretor tratar seus personagens como lixo. Tipo pai tratando mal os filhos, sabe?

Pois é... hoje (pelo menos HOJE) Sam Mendes saiu da minha lista negra com DISTANTE NÓS VAMOS. Por que ele é só amor com o casal principal* **.E por que é mais um filme pequeno com coração e verdade imensos.

So... Verona e Burt são perdedores. Como você e eu (é, desculpa, mas se você me conhece e lê isso daqui... chances are de que você não seja a pessoa mais rica e bem-sucedida no sentido "quadradinho" da palavra). Ou seja, eles são fucked up se você fizer uma lista do que pessoas aos 34 (ou 33) anos devem ser/ter/fazer. Mas bem como eu (e espero, você) eles são felizes. Por que gente feliz a gente nota logo de cara, num filme ou na vida real. E eles vão ter um bebê e sabem que é meio que fundamental morar em um lugar melhor, cercar-se de pessoas das quais eles gostem e que vão trazer boas lembranças à criança e coisa e tal. E seguem num road movie em busca de um lugar pra chamar de seu.

Fácil assim. Só que como em todo bom filme onde os personagens são reais, palpáveis e você quer ser amiga deles, nada é perfeito. Tipo na vida real, onde gente idiota não deveria ter filhos, gente muito legal (e que seriam excelentes pais) não os tem, babacas existem, ricos acham que podem posar de better-than-you hippies, pais e mães abandonam lares e mesmo viajando milhas e mais milhas, é difícil pacas perceber onde é que você pode ser feliz.

E a melhor parte é que, "abraçando" o casal, o diretor lhes dá de presente a felicidade que eles merecem. Porque poxa, ninguém é mais feliz ali do que a pequena família que se forma. Uma delícia de filme.

* John Krasinski é tudo que um cara deve ser. Eu sei. Aaaaaalto. Goofy. Hugable. E nesse filme ele consegue ser melhor do que Jim Helpert. Deve ser a barba, que faz tudo sempre ficar melhor.
** Eu devo desculpas pra atriz Maya Rudolph. Por uns bons anos, toda vez que olhava pra cara dela no SNL, gritava (mentalmente- I'm not THAT crazy...) "YOU'RE NOT FIONA, BITCH!" Sorry, Maya. Você é uma fofa e está aprovada. Agora peça pro pai dos seus filhos fazer um filme novo e participe dele, ok?