O FIM DE UM CICLO
1. Sabe aquele show de sonhos, com um mar de gente, um palco enorme (com aquelas iluminações/câmeras gigantescas), tudo muito afinado, som perfeito? Foi exatamente daquele jeito. Tão perfeito que eu (de pertinho, quase na grade) me choquei ao ver a reação da banda. Jonny Greenwood bem na minha frente tava pasmo com todo mundo gritando o nome dele a cada break entre músicas. Yorke ria sozinho, logo ele, o garoto deprê, com o calor paulistano. Ed O’Brien (que meu Deus, tem uns 10 metros de altura e é absurdamente lindo ao vivo) parava, segurando a guitarra e só olhava, embasbacado. Um show tão magnânimo deles e da gente, que esperou tanto, tanto tempo pra ver.
2. Num nível bem mais pessoal, ontem também foi o fim de muita coisa pra mim.
Radiohead era a figurinha mais díficil que faltava pra completar meu álbum. Sabia disso ao chegar lá. Sabia que agora, não existe mais banda/artista que eu vá esperar com frio na barriga e gritar de excitação ao ver.
O que se tornou uma grande reflexão durante as 2 horas e 20 minutos de show.
Foi o primeiro em que senti como o tempo passou.
Quando subiram no palco, estava lá à 12 horas, em pé, e vi que não é mais tão fácil chegar na minha companheira grade. E que pra alguém da minha idade, mesmo ficar na frentona doia, nas pernas, nas costas. Não sou mais a adolescente de 13 anos atrás no primeiro show da minha vida. Show agora, só lá de trás, com os adultos.
Quando olhei Thom Yorke de tão perto, chorei. That was it. O fim. Pensei no Paulo. 5x1. E esse valeu por 10.
Quando gritei, aos prantos de novo, a letra de karma police, "this is what you get, when you mess with us", lembrei do Cesar, quando ele me emprestou Ok computer (ele nunca emprestava cd nenhum) num saquinho, “todo cuidado com o saquinho”, achei frescura, até escutar o que tinha dentro do cd e entender a cautela. Ai cai na real, foi há mais de uma década. Época do colegial. E chorei mais ainda.
Comparado à tanta gente gritando todas a letras, gente jovem, eu há algum tempo atrás, cantei pouco, nem me mexia. Só olhava pro palco, não queria perder nenhum segundo de nada daquilo. Era o fim.
Com as antigas, mais uma vez chorei, "If I could be who you want, all time, all time", como uma frase faz tanto sentido?
Paranoid Android, Yorke encerra a música, 30 mil pessoas, continuam, à capela “Rain down, rain down, from a great height". Tão lindo e inexplicável.
E o fim mesmo. Já desacreditada, a música que qualquer pessoa que não se encaixe na caixinha que o mundo obriga todo mundo a caber, os feios, os estranhos, o cara dos olhos estranhos e a gorda nerd. Berrei pra perder a voz num show pela última vez. "I DO belong here". Because, for once, I did.
3. Pra quem não entendeu coisa alguma, fica o resumo: Ontem aconteceu o show da vida de muita gente. Minha, inclusive.
2. Num nível bem mais pessoal, ontem também foi o fim de muita coisa pra mim.
Radiohead era a figurinha mais díficil que faltava pra completar meu álbum. Sabia disso ao chegar lá. Sabia que agora, não existe mais banda/artista que eu vá esperar com frio na barriga e gritar de excitação ao ver.
O que se tornou uma grande reflexão durante as 2 horas e 20 minutos de show.
Foi o primeiro em que senti como o tempo passou.
Quando subiram no palco, estava lá à 12 horas, em pé, e vi que não é mais tão fácil chegar na minha companheira grade. E que pra alguém da minha idade, mesmo ficar na frentona doia, nas pernas, nas costas. Não sou mais a adolescente de 13 anos atrás no primeiro show da minha vida. Show agora, só lá de trás, com os adultos.
Quando olhei Thom Yorke de tão perto, chorei. That was it. O fim. Pensei no Paulo. 5x1. E esse valeu por 10.
Quando gritei, aos prantos de novo, a letra de karma police, "this is what you get, when you mess with us", lembrei do Cesar, quando ele me emprestou Ok computer (ele nunca emprestava cd nenhum) num saquinho, “todo cuidado com o saquinho”, achei frescura, até escutar o que tinha dentro do cd e entender a cautela. Ai cai na real, foi há mais de uma década. Época do colegial. E chorei mais ainda.
Comparado à tanta gente gritando todas a letras, gente jovem, eu há algum tempo atrás, cantei pouco, nem me mexia. Só olhava pro palco, não queria perder nenhum segundo de nada daquilo. Era o fim.
Com as antigas, mais uma vez chorei, "If I could be who you want, all time, all time", como uma frase faz tanto sentido?
Paranoid Android, Yorke encerra a música, 30 mil pessoas, continuam, à capela “Rain down, rain down, from a great height". Tão lindo e inexplicável.
E o fim mesmo. Já desacreditada, a música que qualquer pessoa que não se encaixe na caixinha que o mundo obriga todo mundo a caber, os feios, os estranhos, o cara dos olhos estranhos e a gorda nerd. Berrei pra perder a voz num show pela última vez. "I DO belong here". Because, for once, I did.
3. Pra quem não entendeu coisa alguma, fica o resumo: Ontem aconteceu o show da vida de muita gente. Minha, inclusive.

<< Home