Sunday, February 01, 2009


À procura da felicidade


Cada vez que penso sobre a vida chego mais a conclusão de que quase todo mundo vive num misto de insatisfação, frustação e negação e, como o filme que me deixou doente durante todo esse domingo, alguns só aprendem a mentir melhor pra fingir que tudo está bem enquanto buscam uma vida impossível.
Foi apenas um sonho é um filme ruim tecnicamente, dirigido com mãos pesadas e que julga moralmente os personagens e seus méritos como filme são poucos.
Mas, como sempre, foi díficil não me enxergar no papel de Kate Winslet e sair absurdamente incomodada com tudo.
As pessoas tendem a se achar especiais demais (incluindo eu e eles lá na tela) e acabamos achando injusto o que não acontece nas nossas vidas. A maioria acha que deveria ter uma vida legendária, magnanima e ou acaba na mais completa infelicidade (o/) ou tem que se auto-afirmar periodicamente (sabe, as pessoas que se “acham” mas que no fundo só estão se re-afirmando pra manter o mínimo de sanidade?)
Junte tudo isso às tais regras (ter um amor, ter filhos, ter conforto material, ter o emprego dos sonhos, TER) e ao absurdo da obrigação de ser feliz também imposta pela sociedade e é óbvio que muita coisa sai errada.
É difícil querer ser um ser único e especial e ainda empenhar o papel de ser comum com felicidades comuns e pré-estabelecidas e achar que pode dar certo. Por isso o casal do filme vive sempre entre uma escolha e outra (e refletindo melhor, nem sei bem se eles querem mesmo ser diferentes ou só buscam ser especiais por que se espera isso deles).
Viver é coisa dificílima (tanto nos anos 60 num suburbio americano qualquer como nos liberais dias de hoje ou num futuro distante) e o que o filme mostra é que tentar se encaixar em QUALQUER padrão (seja do mais normal ao mais diferente possível) não é solução pra nada. Felicidade não é algo duradouro ou eterno. São momentos e devem ser encarados na sua mobilidade e não resultados concretos e finais de escolhas x ou y.


Ps: eu não aguento mais pensar na vida. São quase dez da noite do último dia de uma semana lotada de filmes de drama, auto-análise, filosofias e reflexões. Tudo que eu queria era ter minha caixa craniana interditada até o domingo próximo.