Demorei mas voltei…
Peço obséquio pelo longo sumiço mas tive coisas melhores pra fazer no Carnaval (como fugir dele) e nem quis comentar a cerimônia do domingo que mal cheguei a assistir até o fim (sempre a mesma chatice).
E a Índia hein?
Mas a Índia me fez voltar…aparentemente a grande nação de Gandhi tá em alta, não? Já não basta a “suuuuuper apurada” nova novela da Globo - que não assisto mas me disseram ser hedionda e fazer indiano enfartar de tão esteriotipada- também teve o azarão do Oscar.
Pois bem, quem quer ser um milionário?
Se você asssitiu Benjamin Button, amando ou não, conhecendo David Fincher ou não (e posteriormente tendo consciência que aquilo não é um filme de autor), você ainda assim tinha capacidade de perceber que pô, aquilo é um filme que ganha Oscar (e Deus, não ache que isso é na maioria das vezes um elogio…)
Ai você, sem nem assistir Slumdog Millionaire ainda, lê a sinopse, não vê um único nome famoso no elenco, olha o pôster e vê uns indianos e pensa que nunca um filme desses faria a rapa na festa da Academia.
E eu te digo que ai está a beleza do cinema. Assim como a história do filme, é delicioso ver o filme pequeno, modesto MAS muito bom dar um bela mordida no filme grandioso, pretencioso, manipulador de emoções e roubar a atenção.
Num ano muito quadradinho e fraco é gostoso ver um filme diferente. Criativo. Retratado por uma cultura que sei bulhufas mas que estranhamente* se parece muito com a brasileira. Com um final bollywoodiano, feliz e moderninho. E que está ajudando a Academia a ver que cinema bom é aquele que se move na tela e se modifica fora dela, mesmo quando é uma típica história de um pobre diabo vencendo na vida.
E como entrei no cinema só sabendo que é sobre um rapaz pobre concorrendo ao show do milhão indiano E SÓ, decidi nem desenrolar sobre o roteiro pra quem quer que leia aqui e se interesse em assistir, vá às cegas como eu fui e se divirta muito mais.
Enquanto Fincher se vendeu ao sistema pra ser aceito é com muita felicidade que vi Danny Boyle levar (quase) tudo sendo Danny Boyle.*
* Pois é, tô lendo em tudo quanto é lugar que Danny Boyle tirou “licenças poéticas” de Cidade de Deus. Em defensa do diretor:
1. Se você conhece a obra de Boyle (tipo eu, que assisti todo santo dia dos meus 15 aos 18 o filme Trainspotting e Cova Rasa quando chegava da escola- hi Ewan 0/”) sabe que ele sempre teve certas características como corte rápido, câmera mexida, alteração de velocidade.
2. Você está fazendo um filme na Índia. ÍNDIA. Até meu cachorro (e a Glória Perez) sabe que TER MUITAS CORES é fundamental.
3. Ficou comprovado que favela é favela em qualquer lugar. Na CDD ou em Mumbai. E quando filmada de forma estilizada, vai ficar parecido, pombas.
4. Adoro Cidade de Deus mas Fernando Meirelles, César Charlone e Daniel Rezende não descobriram a roda. Só misturaram elementos que já estavam ai e o próprio Boyle também usava!!!
Got Milk?
Uma biografia. De um político. Estrelada por Sean Penn. Dirigida por Gus Van Sant. Essas razões sozinhas já me fariam ficar milhares de metros longe de Milk. E no entanto, o trailer (com Queen Bitch, come on!) me atraiu. E não me arrependi.
De todas as minorias, sempre achei os gays os mais injustiçados. Como se fosse uma escolha (tabu que ainda bem já caiu) ser “safado” ou “desviado” (de novo, quem faz as regras de que prática sexual é certa ou errada quando cada um pode fazer o que bem entender com o seu próprio corpo??).
E ainda dou muito a cara pra bater os defendendo (atitude que já me rendeu a alcunha de lésbica apesar de gostar tanto de pinto e Barbra quanto o gay mais próximo :P) principalmente por que, independentemente do que faz na cama, os gays da minha vida estão na categoria das pessoas mais decentes que conheço, não mentindo, não sendo desonestas ou grandissíssimas filhas da puta que tem como meta de vida ferrar o próximo.
E esse é o grande mérito de Milk. Por que o que acontecia (e ainda acontece) é a mistificação do mundo gay que acaba gerando preconceito.
Milk (como a vida real no mundo gay ou hetero) mostra gente que trabalha, tem amigos, família, flerta, dá beijo na boca, namora, mora junto, se separa e que , no caso de Harvey Milk, decide agir do lado da lei quando é injustiçado. A ótima escolha do roteirista e de Gus Van Sant de não mostrar, digamos, “a putaria” que muita gente espera ver num filme sobre gays é mais do que acertada. O mundo ainda precisa ver muito mais dois homens numa relação, cozinhando, conversando, tendo uma vida em comum, como qualquer outro casal apaixonado em começo de relacionamento. Por que isso ainda é mito na cabeça de muita gente.
E dá força pra que quando os conservadores comecem a apontar o dedo (ou coisas piores como agredir ou proibir direitos civis) se perceba o quão errado é julgar e negar direitos baseados em argumentos como associar homosexualidade à pedofilia (no caso do filme) ou que duas pessoas do mesmo sexo não podem se unir legalmente por que não podem procriar!
E apesar de não ter assistido ao Lutador, fiquei feliz de Sean Penn ter vencido na disputa de melhor ator. Não gosto de Penn mas que ele é mais que competente, isso é e carrega o filme de forma muito sutil, dando espaço para os outros atores e fazendo um Milk muito humano, que quer ser porta-voz de seu grupo principalmente por ter vivido nas sombrar tempo demais.
Bem como os outros atores do filme. Josh Brolin deveria ao menos ter tido a companhia de Emile Hirsch na disputa já que se Brolin está absurdamente contido (nem esperaria que ele fosse o que é no fim do filme de tão low-profile que está), Hirsch é A bichinha que eu teria de amiga se já não tivesse a categoria ocupada. Só a presença dele (e de seu adorável “fro”) dá vida a cena. Bem como James Franco e Alison Pill (e sua química e cabelo combinando com Hirsch) e todos os outros atores da “chapa” de Milk. Num filme de atuações, todas elas são preciosas.
Peço obséquio pelo longo sumiço mas tive coisas melhores pra fazer no Carnaval (como fugir dele) e nem quis comentar a cerimônia do domingo que mal cheguei a assistir até o fim (sempre a mesma chatice).
E a Índia hein?
Mas a Índia me fez voltar…aparentemente a grande nação de Gandhi tá em alta, não? Já não basta a “suuuuuper apurada” nova novela da Globo - que não assisto mas me disseram ser hedionda e fazer indiano enfartar de tão esteriotipada- também teve o azarão do Oscar.
Pois bem, quem quer ser um milionário?
Se você asssitiu Benjamin Button, amando ou não, conhecendo David Fincher ou não (e posteriormente tendo consciência que aquilo não é um filme de autor), você ainda assim tinha capacidade de perceber que pô, aquilo é um filme que ganha Oscar (e Deus, não ache que isso é na maioria das vezes um elogio…)
Ai você, sem nem assistir Slumdog Millionaire ainda, lê a sinopse, não vê um único nome famoso no elenco, olha o pôster e vê uns indianos e pensa que nunca um filme desses faria a rapa na festa da Academia.
E eu te digo que ai está a beleza do cinema. Assim como a história do filme, é delicioso ver o filme pequeno, modesto MAS muito bom dar um bela mordida no filme grandioso, pretencioso, manipulador de emoções e roubar a atenção.
Num ano muito quadradinho e fraco é gostoso ver um filme diferente. Criativo. Retratado por uma cultura que sei bulhufas mas que estranhamente* se parece muito com a brasileira. Com um final bollywoodiano, feliz e moderninho. E que está ajudando a Academia a ver que cinema bom é aquele que se move na tela e se modifica fora dela, mesmo quando é uma típica história de um pobre diabo vencendo na vida.
E como entrei no cinema só sabendo que é sobre um rapaz pobre concorrendo ao show do milhão indiano E SÓ, decidi nem desenrolar sobre o roteiro pra quem quer que leia aqui e se interesse em assistir, vá às cegas como eu fui e se divirta muito mais.
Enquanto Fincher se vendeu ao sistema pra ser aceito é com muita felicidade que vi Danny Boyle levar (quase) tudo sendo Danny Boyle.*
* Pois é, tô lendo em tudo quanto é lugar que Danny Boyle tirou “licenças poéticas” de Cidade de Deus. Em defensa do diretor:
1. Se você conhece a obra de Boyle (tipo eu, que assisti todo santo dia dos meus 15 aos 18 o filme Trainspotting e Cova Rasa quando chegava da escola- hi Ewan 0/”) sabe que ele sempre teve certas características como corte rápido, câmera mexida, alteração de velocidade.
2. Você está fazendo um filme na Índia. ÍNDIA. Até meu cachorro (e a Glória Perez) sabe que TER MUITAS CORES é fundamental.
3. Ficou comprovado que favela é favela em qualquer lugar. Na CDD ou em Mumbai. E quando filmada de forma estilizada, vai ficar parecido, pombas.
4. Adoro Cidade de Deus mas Fernando Meirelles, César Charlone e Daniel Rezende não descobriram a roda. Só misturaram elementos que já estavam ai e o próprio Boyle também usava!!!
Got Milk?
Uma biografia. De um político. Estrelada por Sean Penn. Dirigida por Gus Van Sant. Essas razões sozinhas já me fariam ficar milhares de metros longe de Milk. E no entanto, o trailer (com Queen Bitch, come on!) me atraiu. E não me arrependi.
De todas as minorias, sempre achei os gays os mais injustiçados. Como se fosse uma escolha (tabu que ainda bem já caiu) ser “safado” ou “desviado” (de novo, quem faz as regras de que prática sexual é certa ou errada quando cada um pode fazer o que bem entender com o seu próprio corpo??).
E ainda dou muito a cara pra bater os defendendo (atitude que já me rendeu a alcunha de lésbica apesar de gostar tanto de pinto e Barbra quanto o gay mais próximo :P) principalmente por que, independentemente do que faz na cama, os gays da minha vida estão na categoria das pessoas mais decentes que conheço, não mentindo, não sendo desonestas ou grandissíssimas filhas da puta que tem como meta de vida ferrar o próximo.
E esse é o grande mérito de Milk. Por que o que acontecia (e ainda acontece) é a mistificação do mundo gay que acaba gerando preconceito.
Milk (como a vida real no mundo gay ou hetero) mostra gente que trabalha, tem amigos, família, flerta, dá beijo na boca, namora, mora junto, se separa e que , no caso de Harvey Milk, decide agir do lado da lei quando é injustiçado. A ótima escolha do roteirista e de Gus Van Sant de não mostrar, digamos, “a putaria” que muita gente espera ver num filme sobre gays é mais do que acertada. O mundo ainda precisa ver muito mais dois homens numa relação, cozinhando, conversando, tendo uma vida em comum, como qualquer outro casal apaixonado em começo de relacionamento. Por que isso ainda é mito na cabeça de muita gente.
E dá força pra que quando os conservadores comecem a apontar o dedo (ou coisas piores como agredir ou proibir direitos civis) se perceba o quão errado é julgar e negar direitos baseados em argumentos como associar homosexualidade à pedofilia (no caso do filme) ou que duas pessoas do mesmo sexo não podem se unir legalmente por que não podem procriar!
E apesar de não ter assistido ao Lutador, fiquei feliz de Sean Penn ter vencido na disputa de melhor ator. Não gosto de Penn mas que ele é mais que competente, isso é e carrega o filme de forma muito sutil, dando espaço para os outros atores e fazendo um Milk muito humano, que quer ser porta-voz de seu grupo principalmente por ter vivido nas sombrar tempo demais.
Bem como os outros atores do filme. Josh Brolin deveria ao menos ter tido a companhia de Emile Hirsch na disputa já que se Brolin está absurdamente contido (nem esperaria que ele fosse o que é no fim do filme de tão low-profile que está), Hirsch é A bichinha que eu teria de amiga se já não tivesse a categoria ocupada. Só a presença dele (e de seu adorável “fro”) dá vida a cena. Bem como James Franco e Alison Pill (e sua química e cabelo combinando com Hirsch) e todos os outros atores da “chapa” de Milk. Num filme de atuações, todas elas são preciosas.

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