Orgulhos
Pra uma cinéfilo, o simples ato de assistir um filme nunca vem sozinho. Sempre exitem razões e explicações pra ir ao cinema. E ter (finalmente) assistido Ensaio sobre a cegueira foi uma conjuntura de fatores:
1. A atriz: Num mundo em que atrizes só viram atrizes pra serem estrelas, existe Julianne Moore. Aquela que me conquistou pela primeira vez chorando compulsivamente por ter perdido a guarda do filho atrás de um muro em Boogie Nights. A alma mais triste entre todas as almas tristes de as Horas. A força da natureza gritando “SHAME ON YOU” numa farmácia em Magnólia. E agora, a encarnação do sofrimento de ter que enxergar o que é o ser humano de verdade num mundo do avesso. Ela por si só é o que deveria motivar as pessoas a ir ao cinema.
2. A cidade: Dentre tantos filmes nacionais que ora mostram o Rio e suas belezas e São Paulo e suas tristezas, foi tão bom ver minha melancólica cidade num filme tão bom. Li de um crítico (estrangeiro) que ver uma cidade fictícia, que não reconhecia, o fazia não se relacionar bem com o filme. Já meus olhos não me engararam. Ensaio sobre a cegueira se passa em SP. E é por isso que gosto dele mais ainda.
3. O filme: Li o livro até a já famosa passagem do estupro. Parei. Tudo relacionado à estupro é um deal breaker pra mim e lido muito mal com o assunto. E por isso sei que o livro é simbolismo puro. E simbolismos são difíceis de serem (bem) transmitidos em tela. Mas sei que o filme deu seu melhor. Talvez Terrence Malik tivesse feito o filme perfeito de um livro de Saramago. Mas este ficaria inacessível e talvez inassistível. Meirelles fez um filme sem apelações, que mostra sim emoções e se deixa as reflexões filosóficas pra poucos momentos, cabe ao espectador refletir qual a vedadeira cegueira que rege o homem.
4. Meu melhor amigo: Com egos inflados, idéias escrotas e pseudo-intelectualóides que só querem discutir e copiar Glauber Rocha nesse Brasil de gente que faz (ou na maioria das vezes, só tenta fazer) cinema, quando meu melhor amigo e pessoa que merece muito muita fama me enganou ano passado dizendo que ia fazer um comercial no Rio e desapareceu por umas semanas, ressurgindo com fotos do Uruguai que incluiam ele com Miss Moore, Mark Ruffalo, Denny Glover e Alice Braga, só pude ter orgulho deste ter participado das filmagens. Por isso, ao fim de tudo, ver o nome Mário Surcan nos créditos foi tão bom quanto ver o filme em questão!!!!
1. A atriz: Num mundo em que atrizes só viram atrizes pra serem estrelas, existe Julianne Moore. Aquela que me conquistou pela primeira vez chorando compulsivamente por ter perdido a guarda do filho atrás de um muro em Boogie Nights. A alma mais triste entre todas as almas tristes de as Horas. A força da natureza gritando “SHAME ON YOU” numa farmácia em Magnólia. E agora, a encarnação do sofrimento de ter que enxergar o que é o ser humano de verdade num mundo do avesso. Ela por si só é o que deveria motivar as pessoas a ir ao cinema.
2. A cidade: Dentre tantos filmes nacionais que ora mostram o Rio e suas belezas e São Paulo e suas tristezas, foi tão bom ver minha melancólica cidade num filme tão bom. Li de um crítico (estrangeiro) que ver uma cidade fictícia, que não reconhecia, o fazia não se relacionar bem com o filme. Já meus olhos não me engararam. Ensaio sobre a cegueira se passa em SP. E é por isso que gosto dele mais ainda.
3. O filme: Li o livro até a já famosa passagem do estupro. Parei. Tudo relacionado à estupro é um deal breaker pra mim e lido muito mal com o assunto. E por isso sei que o livro é simbolismo puro. E simbolismos são difíceis de serem (bem) transmitidos em tela. Mas sei que o filme deu seu melhor. Talvez Terrence Malik tivesse feito o filme perfeito de um livro de Saramago. Mas este ficaria inacessível e talvez inassistível. Meirelles fez um filme sem apelações, que mostra sim emoções e se deixa as reflexões filosóficas pra poucos momentos, cabe ao espectador refletir qual a vedadeira cegueira que rege o homem.
4. Meu melhor amigo: Com egos inflados, idéias escrotas e pseudo-intelectualóides que só querem discutir e copiar Glauber Rocha nesse Brasil de gente que faz (ou na maioria das vezes, só tenta fazer) cinema, quando meu melhor amigo e pessoa que merece muito muita fama me enganou ano passado dizendo que ia fazer um comercial no Rio e desapareceu por umas semanas, ressurgindo com fotos do Uruguai que incluiam ele com Miss Moore, Mark Ruffalo, Denny Glover e Alice Braga, só pude ter orgulho deste ter participado das filmagens. Por isso, ao fim de tudo, ver o nome Mário Surcan nos créditos foi tão bom quanto ver o filme em questão!!!!


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