Sunday, March 23, 2008

Deficit Visual

Ao me ver assistindo à uma animação quase que totalmente em preto e branco e com legendas em branco (essas malditas), toda falada numa língua que eu ainda estou engatinhando pra entender e SEM ÓCULOS, percebi duas coisas: je déjà peux comprendre beaucoup de chose e que Deus, por favor, tire a audição, a voz, os movimentos, mas mantenha a deficiência visual na miopia. Não enxergar, pra um cinéfilo, é o inferno na Terra…

Dito isso, e com todos os impedimentos pra ver Persépolis, só me resta dizer que eu, odiadora oficial de todas as coisas animadas em película, encontrei uma jóia rara perdida nesse mundão. Ao folhear os quadrinhos na livraria Cultura e não comprar o livro e ao ir embora antes deste começar na Mostra ano passado (por motivos coxinhescos), só me deixa arrependimento de não tê-lo visto antes…melhor sensação não há quando você acha que sabe tudo que deve saber sobre um filme e sai embasbacada com o que você só descobre assistindo.
Eu até sabia que a animação era “oposta” às bobagens de pixar e afins (em traçado e em filosofia) e que ocorreria temas como Talibã e repressão (afinal, se passa quase todo em Teerã) mas o que surpreende é a graciosidade em como tudo é posto em tela.
Aliás, junto de O ano em que meus sairam de férias, A culpa é do Fidel e outros tantos belos filmes cuja ótica vêm de uma criança, chego a conclusão de que filmes de temática adulta (e pesada) narrados por pequenos, são maravilhosos.

(Burkas, Rock & Amor de Vó)