Entre sapos e milkshakes
A melhor explicação pra chuva de sapos de Magnólia é redenção. Ela acontece pra que o expectador perceba que as vidas acompanhadas nas 2 horas são tão desgraçadas que até algo absurdo pode acontecer. E acontecendo, elas podem “wise up” , como já dizia a música de Aimee Mann.
Só que existem vidas que já nascem malditas e nenhuma chuva no mundo limparia suas almas e nao há nada de errado nisso.
Esta é a vida de Daniel Plainview em Sangue Negro. E dito isso, já se diz tudo sobre a mudança na carreira de Paul Thomas Anderson.
Quando assisti Magnólia oito anos atrás e li uma entrevista com PTA, ele dizia que não importava mais quantos filmes fizesse dali em diante pois aquele seria seu ápice. Eu concordei. Nós dois nos enganamos.
Como todos os filmes de Anderson, Sangue Negro chega a ser anal de tão perfeito tecnicamente. Neste quesito, os Oscars deveriam ser obrigatóriamente entregues a Robert Elswit e Dylan Tichenor.
E pra quem gosta de listas, afirmo que a sequência da explosão da torre de petróleo é uma das coisas mais maravilhosas já filmadas pelo homem. A contraluz dos corpos no laranja alternado pela quase completa escuridão com somente algumas nuances do rosto de Day Lewis coberto de óleo nao só é ABSURDAMENTE difícil como foi feita com maestria. Felizes os que tem a oportunidade de ver tamanha beleza numa tela de cinema.
Perfeita tambem é a quase doentia trilha sonora. Antes da sessão, desejava saber o porquê de tamanha falação sobre o trabalho de Jonny Greenwood. Depois desta, só me restou contemplá-lo.
E, acima de mim e minha total e completa parcialidade ao escrever sobre um filme de PTA, dizer que ele merece o oscar de direção. Sim, sangue negro não é um filme perfeito, tanto quanto onde os fracos não tem vez, mas se OFNTV não é o melhor Coen, Sangue Negro é o melhor Anderson.
Pela primeira vez, ele (FINALMENTE) se tormou Paul Thomas Anderson, e não Truffaut, Scorsese, Altman, canalizados em Anderson. E tenho que dizer, “somente Anderson” é MUITO melhor.
E como já foi dito e afirmado, se antes os mosaicos de atores acompanhavam Anderson, com um só ator tudo é ainda mais arrabatador.
Tentei achar tantas analogias para o que é Daniel Day Lewis (de uma panela de pressão à um furacão) mas verdade é, uma panela pode ser controlada e um ato da natureza desviado caso fuja dele e fato é, ao sentar-se na poltrona e se confrontar com os já falados 15 minutos mudos iniciais, a única sensação que se tem é de que Plainview é um grande desatre que chegará ao fim da projeção e você não tem como escapar dele.
O início me lembrou muito de Jean Baptiste Grenoille do livro o Perfume, cuja misantropia era tanta que seu único conforto era se afastar de qualquer coisa humana. Plainview ama o petróleo, o dinheiro por que TUDO é melhor do que o ser humano. Quem dera sua vida se resumisse a ficar no escuro entre ouro (dourado ou negro) sem nunca mais falar ou depender de outro ser vivente.
Pena dele que ele tem que sair de seu buraco, e longe dele só o dinheiro e o poder o colocarão de novo na escuridão e no vazio que ele tanto precisa.
E entre começo e fim lá se vão a sanidade e a saga de Plainview.
A saga deste tentando ser um pouco humano, pela família postiça que se dissolve por que Plainview é só por que tem que ser só e perdendo de vez a humanidade quando tanto o filho quanto o irmão saem do seu controle total.
A tentativa de ser sociável, uma das coisas mais dificeis pra alguém que despreza pessoas, só pra conseguir o que deseja.
E o filme em si, que só começa verdadeiramente com a entrada de Paul Dano. Cada vez que as palavras religião ou igreja são proferidas em tela, Plainview range um pouco mais os dentes e nós também, por sabermos que aquilo é o estopim. (Paul Dano aliás, que mostrou um Dwayne mudo e ótimo em little miss sunshire agora com 23 anos e encarando literalmente DDL sem medo, tem muito futuro…)
E o fim, que como um bom fim “andersiano” me agradou horrores e vai desagradar multidões, ao contrário dos outros filmes de Anderson cujos fins poderiam ser remodelados, não teria como ser outro. O desastre, louco, non-sense, tragicômico até, tinha que acontecer daquele jeito.
Todo o amor e perdão e família que os personagens procuravam e acharam em Jogada de Risco, Boogie Nights, Magnólia e Embriagado de Amor são negados a Sangue Negro por que Plainview é a negação dos 4 trabalhos anteriores de PTA. E isso é o melhor que podia ter acontecido à todos.
Só que existem vidas que já nascem malditas e nenhuma chuva no mundo limparia suas almas e nao há nada de errado nisso.
Esta é a vida de Daniel Plainview em Sangue Negro. E dito isso, já se diz tudo sobre a mudança na carreira de Paul Thomas Anderson.
Quando assisti Magnólia oito anos atrás e li uma entrevista com PTA, ele dizia que não importava mais quantos filmes fizesse dali em diante pois aquele seria seu ápice. Eu concordei. Nós dois nos enganamos.
Como todos os filmes de Anderson, Sangue Negro chega a ser anal de tão perfeito tecnicamente. Neste quesito, os Oscars deveriam ser obrigatóriamente entregues a Robert Elswit e Dylan Tichenor.
E pra quem gosta de listas, afirmo que a sequência da explosão da torre de petróleo é uma das coisas mais maravilhosas já filmadas pelo homem. A contraluz dos corpos no laranja alternado pela quase completa escuridão com somente algumas nuances do rosto de Day Lewis coberto de óleo nao só é ABSURDAMENTE difícil como foi feita com maestria. Felizes os que tem a oportunidade de ver tamanha beleza numa tela de cinema.
Perfeita tambem é a quase doentia trilha sonora. Antes da sessão, desejava saber o porquê de tamanha falação sobre o trabalho de Jonny Greenwood. Depois desta, só me restou contemplá-lo.
E, acima de mim e minha total e completa parcialidade ao escrever sobre um filme de PTA, dizer que ele merece o oscar de direção. Sim, sangue negro não é um filme perfeito, tanto quanto onde os fracos não tem vez, mas se OFNTV não é o melhor Coen, Sangue Negro é o melhor Anderson.
Pela primeira vez, ele (FINALMENTE) se tormou Paul Thomas Anderson, e não Truffaut, Scorsese, Altman, canalizados em Anderson. E tenho que dizer, “somente Anderson” é MUITO melhor.
E como já foi dito e afirmado, se antes os mosaicos de atores acompanhavam Anderson, com um só ator tudo é ainda mais arrabatador.
Tentei achar tantas analogias para o que é Daniel Day Lewis (de uma panela de pressão à um furacão) mas verdade é, uma panela pode ser controlada e um ato da natureza desviado caso fuja dele e fato é, ao sentar-se na poltrona e se confrontar com os já falados 15 minutos mudos iniciais, a única sensação que se tem é de que Plainview é um grande desatre que chegará ao fim da projeção e você não tem como escapar dele.
O início me lembrou muito de Jean Baptiste Grenoille do livro o Perfume, cuja misantropia era tanta que seu único conforto era se afastar de qualquer coisa humana. Plainview ama o petróleo, o dinheiro por que TUDO é melhor do que o ser humano. Quem dera sua vida se resumisse a ficar no escuro entre ouro (dourado ou negro) sem nunca mais falar ou depender de outro ser vivente.
Pena dele que ele tem que sair de seu buraco, e longe dele só o dinheiro e o poder o colocarão de novo na escuridão e no vazio que ele tanto precisa.
E entre começo e fim lá se vão a sanidade e a saga de Plainview.
A saga deste tentando ser um pouco humano, pela família postiça que se dissolve por que Plainview é só por que tem que ser só e perdendo de vez a humanidade quando tanto o filho quanto o irmão saem do seu controle total.
A tentativa de ser sociável, uma das coisas mais dificeis pra alguém que despreza pessoas, só pra conseguir o que deseja.
E o filme em si, que só começa verdadeiramente com a entrada de Paul Dano. Cada vez que as palavras religião ou igreja são proferidas em tela, Plainview range um pouco mais os dentes e nós também, por sabermos que aquilo é o estopim. (Paul Dano aliás, que mostrou um Dwayne mudo e ótimo em little miss sunshire agora com 23 anos e encarando literalmente DDL sem medo, tem muito futuro…)
E o fim, que como um bom fim “andersiano” me agradou horrores e vai desagradar multidões, ao contrário dos outros filmes de Anderson cujos fins poderiam ser remodelados, não teria como ser outro. O desastre, louco, non-sense, tragicômico até, tinha que acontecer daquele jeito.
Todo o amor e perdão e família que os personagens procuravam e acharam em Jogada de Risco, Boogie Nights, Magnólia e Embriagado de Amor são negados a Sangue Negro por que Plainview é a negação dos 4 trabalhos anteriores de PTA. E isso é o melhor que podia ter acontecido à todos.


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