Friday, November 23, 2007


Reasons why...


Alguns artistas conquistam fãs por que captam a essência daquele que se apaixona pela sua arte. A primeira vez que assisti um filme de Wes Anderson, eu soube que de alguma maneira ele me “conhecia” por que conseguiu por em celulóide a minha vida. O meu jeito. Pessoas que se parecem em sua estranheza e peculiaridade comigo.
Só que em seu penúltimo filme Anderson chegou numa sinuca de bico. Life Aquatic era plasticamente o melhor filme que ele já fizera. Todos os (ótimos e perfeitos) maneirismos que o fizeram Wes Anderson foram elevados á máxima potência e no fim, apesar de um bom filme, este se tornou um filme sem coração.
Restava saber, se olhando pra essas duas estradas, qual Wes escolheria pra fazer Viagem a Darjeeling. Se continuaria em frente com a estética acima de, bom, todo o resto ou não.
Eis que, com um sorriso no rosto que teima em não ir embora, Wes me deu a resposta. Ele dosou e muito e voltou aos velhos tempos de Rushmore. O tempo em que tudo é tão sutil, quase sublimar, que só da vontade de assistir de novo e de novo e de novo.
O curta Hotel Chavelier começa. E nele, Wes coloca todos os maneirismos compactados pra que possa se libertar no longa. Natalie Portman está fierce (não chega a Margot Tennenbaum, mas quem consegue?) e mostra como Wes tem um dom pra retratar mulheres misteriosas e controladoras, sem que isso seja pejorativo.
E, da melhor forma que um filme pode começar, se inicia Darjeeling. Sorry to spoil, mas as cenas iniciais valeriam por todo o filme, mesmo que este fosse muito ruim e longo (o que não é, NUNCA).

Bill Murray tentando chegar na estação de trens. Uma corrida frenética contra o tempo. A visão do então Darjeeling Limited já em movimento. Todas as atenções em Bill, can he make it in time? Eis que, por um nariz de vantagem, na já adorada câmera lenta de Anderson, surge Adrian Brody correndo mais rápido e alcançando o trem. Ele olha pra Murray e sorri de leve. A sutileza em avisar aos ávidos fãs da trupe que “Hey guys, sorry mas este filme não será de Murray, e o novato chegou a tempo...” com Pagoda ao fundo, agora só como motif por todo o filme e a apresentação dos outros personagens.
Não estragando mais nenhuma surpresa, só é possível dizer que a família Tenenbaum ganha companhia com os Whitman em nuances, problemas e membros disfuncionais. Com a diferença que este, diferente dos outros 4 filmes anteriores, parece positivo do começo ao fim.Enough on making yourself a victim pra que a redenção só chegue ao fim. É possível sentir que apesar de tudo, tudo vai dar certo no fim por que a viagem nunca tem fim até que se chegue ao fim (brega eu sei, mas até a morte, só vivendo e aprendendo...)
E pra não dizer que os andersianismos não estavam todos ali, é adorável ver os personagens e não mais arquétipos, ali. Schwartzman sempre descalço ou com O roupão do curta. A simbologia de largar as malas pra trás. Brody e os óculos. As músicas, sempre perfeitas e dizendo tudo que precisa ser dito. E a certeza de que Wes escolheu o caminho certo. Ele não precisa mais se esforçar tanto pra mostrar quem é.Nós fãs já sabemos reconhecer de cor...