Friday, March 16, 2007


Fatter than me, only your eyes...

Pra alguém que passou uma boa fatia da curta vida não se aceitando e querendo ser o que todo mundo é, até que eu me sai bem.
Claro, para os padrões impostos, eu sou o mais completo fracasso. A garota com melhores notas na escola que não tem formação, nem 4 digitos de salário, ugly as fuck e sem nenhuma das qualidades que faria uma sogra me querer como nora (ou mesmo os defeitos que levariam o filho a me desejar).
Contudo, uma boa contemplada às coisas boas da vida que o dinheiro não pode comprar me fez aceitar o que eu sou e abraçar (a falta de) o futuro que me espera.
Feliz (até onde a depressão permite), eu comecei a fazer o queria, vestir o que desse vontade, gastar o que pudesse com o que desejasse e curtir o hoje, sem contar com o amanhã. Mas sempre consciente de que para os olhos de muita gente, eu sou uma louca desatinada.
O engraçado é que mesmo cagando e andando pra quase tudo, ainda assim é possível sentir aquele olho obeso que precisa de uma low fat diet urgente, o despeito, a raiva de alguém diferente estar entre eles…e a grande pergunta era: POR QUE?
Elementar, meus caros Watsons, foi a epifania de perceber que como diria o homem mais perfeito já posto no papel e na celulóide, somente quando se perde tudo, se é livre pra fazer o que quer. Eu não tenho um homem à perder , filhos à criar, parcelas de carros e casas e toda a responsabilidade que adultos precisam ter pra provar que cresceram, pude largar não uma mas duas faculdades quando achei que elas não me completavam e comprar coisinhas caras só por que assim me dá vontade, gastar com mostras de cinema, ser nerd e freak e geek, usar minhas saias em cores exdrúxulas, falar de coisas que poucos entendem , ter as atitudes que eu quero, sem que nenhuma política interna de emprego me detenha, por que até que ache o meu dreamwork, todo e qualquer trabalho é e será temporário e que eu possa pensar em mochilaria na Europa ou num barco da greenpeace salvando baleias, e que desse mundo eu só queira viagens, boas comidas, beber e falar besteira, escutar música que fale à alma e assistir aos meus filmes…
Eu que sempre achei que as magras, casadinhas, todas engomadas, vaidosas e com suas conquistas e belos planos de vida eram os exemplos me vejo invejada por estas, eu que abandonei os planos feitos de ar e nem penso no que será será, tenho o que elas não podem ter…Liberdade de ser o que eu bem entender.