Sunday, September 24, 2006

In the devil’s shoes

Muito tempo atrás, numa biblioteca comunitária dum subúrbio rico de Jersey, eu devorava livros. Muitos deles. Sem preconceito de autor, gênero e conteúdo*.
Um deles foi The devil wears Prada. Um “chick-lit”, do tipo que fica no stand perto do caixa do Whole Foods , do lado das revistas de fofoca e chichetes.
Ok. Até então, essa chubby little friend que vos escreve tinha encostado numa Vogue umas 3 vezes na vida e Anna Wintour era uma total desconhecida. Mas graças ao livro em questão, descobri que além do já cruel mundo em si, onde pessoas de forma física inadequada (menos de 1,80m e mais de 40 kg) se fodem, o mundinho Vogue é bem pior. O best seller é muito bom. Não é Orwell ou Poe, mas pô, diverte horrores e conta a história da assistente da editora chefe da maior revista de moda do planeta. E como a toda poderosa é , tchanan, o diabo usando Prada (e Channel, Hèrmes, D&G, Marc Jacobs, Jimmy Choo, Manolos…). Tudo baseado na experiência real da autora como assitant/capacho da “tia” da Vogue**.
Como tudo -de livro a receita de remédio- vira filme na suuper criativa Hollywood, estreou o filme baseado no livro.E como Hollywood é hiper inteligente (além de criativa) decidiram mudar tudo.
Tudo isso por que a tal editora no livro é SIM o capeta, Satã, belzebú, Lúcifer, anjo caído, demônio, capiche? E totalmente bidimensional.
Agora peça pra Meryl Streep (com o melhor CABELO ever) ser uma tábua sem emoção num filme…Yup, não vai acontecer.
Adicione uma mocinha magra e bela no lugar de uma nerd gordinha que sonha escrever na New Yorker. Reescrevam o fim. E inibiram as MALDADES.
O que fica? Um filme muuuuito divertido. Cujo fim é mais denso e com uma raison d'être mais inspirada.
E uma vilã ma-ra-vi-lho-sa, principalmente nas derradeiras cenas de filme. Coisas de quem sabe o que faz.
Não conseguiria dizer se é melhor ou pior que a fonte. O que mudou foi o enfoque. Como era de se esperar, Streep domina o filme até quando não está em cena. Melhor mesmo seria a leitura e o filme. Dobradinha mais que bem intentionada.
Só faltava Miss Wintour dedicar uma capa da revista mais estilosa do Globo a Streep e retribuir a homenagem mais que iluminada.


* Ressalva dada a J.K.Rowling e Dan Brown, que meu cérebro não é penico.

** It feels great for a fat chick to call Anna Wintour a tia