Um conto amoral , fatal e sem culpa
Eu não gosto de Woody Allen (nem de Coppola as a matter of fact). Não significa que ODEIO Woody Allen (sentimento unicamente reservado a Steve Sodenbergh). Eu simplesmente não vejo nada demais nos filmes dele -ou via.
Se passa na TV eu encaro, alguns entram lá no fim (bem no fim) de algumas listas de favoritos e talvez o problema esteja no meu dna ou cérebro, mas a minha reação aos seus filmes é quase sempre a minha mais total e completa indiferença.
Mas algo de muito estranho ronda o reino da cinemalândia. Os diretores que surgiram nos últimos tempos ou despareceram ou não fazem nada de muito expressivo. Tudo anda mediano e morno. E ,como já foi dito, diretores depois de algum tempo de carreira (e idade) costumam errar na mão (muito.por sinal) mesmo que sendo considerados gênios.
Ter assistido Munique foi uma grande surpresa pelo que vi na tela e pelo que notei fora dela. Spielberg mudou.
Ter sido praticamente obrigada a assistir Ponto Final teve o mesmo resultado. Panelas velhas andam fazendo comida boa. E melhor ,comida nova e com sabor original.
Tirando música e poucos maneirismos de camêra que mesmo uma leiga em Allen consegui notar, tudo parece diferente.
Apesar de nunca ter chamado o diretor de genial, esse filme vale o título. Se na comédia Allen virou mestre, é nesse drama que se percebe como um bom diretor mantém com sua lente toda a tensão e nervoso necessários num thriller. E é maravilhoso ver um filme tão politicamente incorreto nos dias de hoje. A começar pela escolha do protagonista (que eu só conhecia de Velvet Goldmine) que me ganha no primeiro segundo. Ele gosta de dinheiro? É ambicoso e ama o estilo de vida que conseguiu a ponto de fazer tudo o que faz? Sem dúvida. E ainda assim eu fico do lado dele. Ele é cativante e faz que com que mesmo num filme em que existe um “vilão” , você não deixe de torcer por ele. O fim é surpreendente principalmente por que deixa no ar o quão real poderia ser. Quantos na vida real, por base de sorte mais do que trabalho arduo ou um plano mais planejado, se saem bem e se livram do castigo? Quantos crimes são cometidos por desespero? O quão importante é estar no lugar e hora certos? Ou o oposto? Quantas pessoas cometem erros e não são julgadas (principlamente por si próprias e suas consiênias)? Quanto vale a sorte , a culpa e a falta de moral que a sociedade nos obriga a ter? São muitas as perguntas, poucas as respotas e muita a certeza de que Allen fez um puta filme, atemporal e totalmente amoral. Como poucos feitos por ai…

<< Home