Friday, October 14, 2011


O pior dos medos

Uma vez, Paulo e eu chegamos a conclusão de que se a violência socio-político-financeira do Brasil é um cu fedido e é horrível viver numa terra em que seu patrimônio não é bem protegido porque fulaninho do morro acha que 'hey, esse playba tem um celular que eu quero mas não posso nem nunca poderei comprar' e parte pra tomá-lo e quiçá te meter uma bala nas fuças pra isso, muuuuuito pior é a loucura instalada que os EUA sempre fingiram esconder onde a 1ª emanda te deixa 'ser como quiser ser' - nem que isso seja uma esquizofrênia louca alimentada por remédios fortíssímos que os yankees AMAM - e respaudada pela 2ª que permite o mesmo tantam ter seu próprio arsenal. 

Ou seja, viviamos sempre o dilema de escolher entre morar no país em que você é morto pelo celular ou é morto porque John Doe ouviu das vozes do cachorro do vizinho que 'é hoje'. Tough titties, eles diriam...

Ou seja, sempre achei americanos loucos. Típico esteriótipo mesmo. Do tipo, brasileiros são folgados. Franceses são grossos. Ingleses são secos. Vai por aí. E bom, só constatei indo ou morando nessas terras, de que é tudo meio verdade.

Tenho medo de como funciona a linha de raciocínio do yankee. Um ser tão pudico e respeitador de limites do próximo mas que ainda assim não vê problema em pegar cartazes e ir na porta de um funeral de um menino gay morto só porque a constituição permite a liberdade de expressão religiosa. Uma mãe de família que acusa uma professora de bullying porque essa criticou seu filho mas que não vê nada de errado em seu marido ter rifles, espingardas e automáticas e ensinar essa mesma criança a atirar. E nem quero me estender em como eles acham, não diria correto, mas lógico, instituir à base de guerra e invasões a tal democracia em países alheios, só porque freedom is fine...

Estou escrevendo tudo isso porque bendita e maldita hora que comecei a ler (e devorei em poucos dias) o livro "Precisamos falar sobre o Kevin".

Tinha minhas razões pra lê-lo. A autora childfree o escreveu depois de se questionar: Qual a pior coisa que pode acontecer ao se tornar mãe? Um filho com deficiências? Rebelde? Mal-criado? Burrico? Nope. Um filho so-cio-pa-ta.

O trailer do filme baseado nele me pareceu muito bom. Adoro a Tilda Swinton, o John C. Reilly e hey, a trilha sonora é do Jonny Greenwood. 

E a premissa: Não basta ser sociopata. Tem que entrar na High School e matar meia dúzia pra provar. Esses incidentes de tiroteio em escolas sempre me chocaram. Pura e simplesmente porque quanto mais penso, leio e me informo sobre eles, menos consigo entendê-los. Não consigo aceitar as influênicas - nem bullying, nem músicas/filmes/videogames, nem os pais dessas criaturas. E consequentemente. não acho razões pra compreender. Nem pra culpar. Acho que tão vazia quanto as motivações são as culpas.

E é sobre isso que o livro fala. Uma mãe. Que aos 37 anos não queria o ser. Que, num diálogo com o marido, chega a conclusão de que talvez eles fossem 'felizes demais' e precisassem de um filho. Dessa mesma mãe que sabe que algo 'não encaixa' no comportamento dessa criança durante a infância. De uma mãe que se arrepende. Que não gosta dessa profissão que se viu escolhida a assumir - a maternidade. E que passa durante as mais de quatrocentas páginas do livro, se perguntando - como todos nós sempre fazemos - o que deu errado pra que tudo acabasse como acabou com um monte de gente morta? 

Há tempos que não me pegava tão grudada num livro. Só parava pro essencial. Comer, dormir, trabalhar. De tão visceral e pesado, não conseguia parar e mesmo ficando doente, tive que ir até o fim - e ficar mais chocada ainda com ele- e acabar num estado deplorável. Ainda não me encontro 100%, pra ser honesta.

Não sei se por ser a junção de dois temas que me pegam no pulo. A maternidade ( e a 'obrigação de ter que abraçá-la mesmo com muitas tendo habilidade zero) e a tal daviolência gratuita americana que eu tento, tento e tento mas menos consigo entender...





Links to this post:

Create a Link

<< Home